Na dúvida, façamos o bem!

Recebi um texto pela internet, há um bom tempo atrás, sobre um tema que sempre me chamou a atenção: a caridade. Já no início ele dizia que “caridade é, sobretudo, amizade”, e isso me fez pensar…  Realmente, a caridade é muito mais que simplesmente dar algo a alguém, embora seja muito comum encontrarmos pessoas que se acham incapazes de ajudar por não possuírem “nada” para dar e, assim, perdem a oportunidade de fazer o bem.

A gente só pode doar aquilo que nos pertence, e isso inclui coisas materiais também, é claro, mas elas nem sempre estão de nossa posse. Já nosso tempo é nosso hoje, foi ontem, e será amanhã, ou seja, quando arrumamos um tempo para ajudar um idoso na rua ou simplesmente ouvirmos nosso amigo no telefone, estamos doando algo que é verdadeiramente nosso. A caridade, portanto, é a doação de nosso próprio tempo.

E o texto continuava dizendo que “a caridade para o desesperado é o auxílio do coração. Para o ignorante é o ensino despretensioso. Para o ingrato é o esquecimento da ingratidão. Para o enfermo é a visita pessoal. Para o estudante é o concurso no aprendizado. Para a criança é a proteção construtiva. Para o velho é o braço irmão. Para o inimigo é o perdão. Para o amigo é o estímulo”…

Se damos esmola na esquina, estamos doando o tempo que gastamos no trabalho para ganhar aquele dinheiro. Se doamos um prato de sopa em épocas de frio, doamos muito mais do que simplesmente um prato, doamos dinheiro, dedicação, paciência, etc., tudo em decorrência de nosso tempo.

E para executar essa tarefa é necessário, acima de tudo, muita paciência, pois nem sempre as coisas são do jeito que a gente gostaria que fossem. Certa ocasião uma pessoa decidiu que seria voluntária numa determinada instituição, mas quando soube que os trabalhos que seriam executados não eram propriamente o tipo de trabalho que ela estava disposta a fazer, declinou e desistiu, alegando que o local não estava preparado para receber a sua ajuda. Ou seja, assim como a pessoa no exemplo acima, nem todos estão prontos para se doar.

É difícil, mas precisamos aceitar que nem sempre o que temos para dar é exatamente aquilo que o outro quer ou precisa. De início poderemos achar que aquele que não quer receber nossa ajuda está sendo ingrato ao não aceitar ou, noutras vezes, não agradecer. De fato, nós deveríamos sempre agradecer, e os outros também, óbvio, mas nem sempre é assim.

Para entender isso de verdade precisaríamos enxergar a situação com os olhos da outra pessoa, e tentar compreender o porquê ela age daquela maneira. Olhar as necessidades dos outros com os nossos olhos é fácil, o difícil é olhar com os olhos deles, e isso se chama EMPATIA. O fato é que cada um aprende de forma diferente, cada um doa de forma diferente e cada um aceita de forma diferente, mas isso não quer dizer que existem melhores e/ou piores formas de agir (isso é, na verdade, muito pessoal), significa somente que as pessoas são diferentes.

Aceitarmos essas diferenças também é caridade, pois nem todo mundo aprende matemática somente olhando o quadro, alguns precisam que a professora pegue na mão e os ensine. Tanto o primeiro como o segundo aluno aprenderam a mesma matemática, porém o segundo aprendeu, além dos números, a ser mais paciente além de praticar um pouco de humildade. Quem sabe lá na frente, na escola da vida, o primeiro não irá ser aluno do segundo, não é?

Em discussões, e hoje em dia todo mundo quer dar sua opinião, sempre queremos mostrar o quanto sabemos e as vezes damos nossa opinião sem que ela sequer tenha sido requisitada. Nesses casos é bom se questionar: será que precisamos mesmo dar nossa opinião? É claro que as vezes podemos falar algo, dar nossos pitacos, mas há ocasiões que pedem para não participarmos, simples assim. Na dúvida é bom lembrar o ditado que diz que “boca fechada não entra mosquito”. Como balancear isso? Não sei direito, se fosse fácil eu escreveria aqui. Acho que usar o bom censo ajuda.

Ouvi uma vez que “existem inúmeros cursos de oratória, mas nenhum de ‘escutatória’” (acho que essa palavra não existe, mas enfim, vocês entenderam). Portanto, é bom lembrar que para que você fale e de sua opinião alguém necessariamente terá que escutar, então fica a pergunta: será que estamos dispostos, vez ou outra, a ouvir alguém? Muitas pessoas estão aí fora precisando de alguém que os ouça, e isso também é caridade.

O texto é de Emmanuel, psicografia de Chico Xavier, e finaliza dizendo que “caridade é amor, em manifestação incessante e crescente. É o sol de mil faces, brilhando para todos, e o gênio de mil mãos, amparando, indistintamente, na obra do bem, onde quer que se encontre, entre justos e injustos, bons e maus, felizes e infelizes, porque, onde estiver o Espírito do Senhor aí se derrama a claridade constante dela, a benefício do mundo inteiro”.

Enfim, já ouvi e li muito que para fazer o bem é preciso que se tenha boa vontade, e que se você não faz o bem de coração, então não vale. Em partes isso está certo, mas o importante é lembrar que PARA QUEM RECEBE, O BEM É SEMPRE O BEM. Portanto, façamos sempre o bem:

  1. Mesmo que você não queira fazer o bem… na dúvida faça!
  2. Mesmo que você só pense em fazer o bem… na dúvida faça!
  3. E se você pensa e quer fazer o bem… na dúvida faça dobrado!

E não se preocupe, o homem lá de cima vai saber distinguir as três situações, enquanto que a gente só vai saber depois o valor da ação que foi feita. No entanto, para quem recebe o bem o resultado é sentido na hora. Sendo assim, na dúvida façamos o bem, porque o mal já tem quem o faça. E por fim lembremos de Gandhi quando disse “que sejamos a mudança que queremos no mundo”, pois como já escrevi há um tempo atrás alguns não nos dão aquilo que esperávamos, outros não são gratos como gostaríamos. Há também aqueles que não sentem o que sentimos, além de muitos que simplesmente não se importam. Por quê?

  • Porque ninguém consegue se doar como a gente
  • Porque ninguém consegue agradecer como a gente
  • Porque ninguém consegue sentir como a gente
  • Porque ninguém consegue se importar como a gente
  • Porque ninguém consegue pensar como a gente

Ou seja, porque só eu consigo ser EU. E os outros só conseguem ser como eles são. Nada mais, nada menos. E isso, na verdade, é o melhor que podemos fazer. O fato de pensarmos diferente é o que nos faz melhores é o que nos leva a evoluir. É a diferença, não a igualdade, que nos empurra para frente. É a diversidade que nos mostra as inúmeras possibilidades de aprender. Discutir é ótimo, impor nem tanto.

Deveríamos aceitar as diferenças, pelo simples fato de existirem sete bilhões de seres diferentes em cultura, em cor, em altura, etc., só por isso. Mandela entendeu bem esse ponto, e fez o que fez aceitando as diferenças.

Na dúvida, façamos o bem.

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A melhor ferramenta

Várias filosofias no mundo nos dizem que virtudes como a Paciência, a Tolerância, Indulgência, Misericórdia, etc., são essenciais, são ferramentas que devemos saber usar para se ter uma vida completa e feliz. Ou seja, a doação de si mesmo é uma ferramenta na melhora de si mesmo. Intrigante não é?

Noutro dia estávamos estudando as virtudes da Indulgência e Misericórdia num grupo de estudos no Seele, que é centro espírita localizado na cidade de Stuttgart na Alemanha, e percebemos que a gente não entendia o que eram essas duas palavras, isto é, não entendíamos as suas definições, simplesmente porque as próprias definições eram muito semelhantes, se entrelaçavam entre si, nos deixando com ainda mais dúvidas. Sendo assim, como estudar e tentar trazer algo para nosso dia a dia se não conseguimos compreender a fundo tais conceitos?

Por fim percebemos que isso se dava com todas as outras virtudes, ou melhor, poderíamos até ter um entendimento delas, mas entender a fundo a ponto de poder aplicá-los em nossas vidas era outra história.

E conforme fomos discutindo chegamos à seguinte conclusão: a gente não entendia os conceitos por pura e simples falta de prática, só isso, nada mais nada menos. E, na verdade, é assim em toda atividade, isto é, se você tem uma ferramenta mas não tem prática em usá-la, a tendência é fazer errado. Por exemplo, um açougueiro novo e com pouca experiência se corta a todo o momento, já um mais experiente se corta muito pouco. Um escultor sabe bem onde deve quebrar uma pedra ou tirar uma lasca da madeira, enquanto que aquele de primeira viagem se perde e estraga tanto a pedra como a madeira.

E é assim com as ferramentas das virtudes. Precisamos de prática. Porém, como ainda não temos nos batemos e não conseguimos utilizá-las, as virtudes, da melhor maneira possível. Simples assim.

Não somos tolerantes, porque não praticamos a Tolerância.
Não somos pacientes, porque não praticamos a Paciência.
Não perdoamos, porque não praticamos o Perdão.
Não entendemos, porque estudamos pouco…

É assim nossa vida até que decidimos fazer.
É tarefa diária, mas não impossível.

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Aprendendo com as mães.

Hoje, dia 14 de maio de 2017, é dia das mães. Na verdade, todo segundo domingo de maio sempre é dia das mães, todos os anos é assim. Você sai de casa na véspera e vê um monte de gente querendo comprar presente, correria para cima e para baixo, eu inclusive, e vale lembrar que essa data só perde para o Natal em volume de compras. Mas mãe é mãe e deve sim ser agradada pelo menos uma vez por ano. Ok Ok, o correto deveria que isso ocorresse todos os 365 dias do ano, mas nem sempre lembramos, e ainda bem que existe esse dia para nos lembrarmos delas.

Tem mãe que é mãe, outra é avó, umas são tias, tem aquela que não é de sangue, mas é do coração, tem mãe que é a irmã mais velha, umas são apenas madrinhas, tem mãe que já é mãe sem ainda ter filhos etc etc. e a todas essas mães eu envio um grande abraço.

Mas também existem as mães solteiras, aquelas que não conseguem ser mães mas tem um espaço enorme no coração à espera dos filhos, existem as mães afastadas dos filhos, as mães doentes… e tem os filhos que crescem sem as mães, e mães que já não estão mais com seus filhos, e em todas essas eu gostaria de dar um abraço mais longo, mais fraterno, mais carinhoso.

Lembrei que existe uma piada bem velha e sem graça, mas que muitos ainda acham graça. A professora pede para os alunos escreverem uma redação simples contendo a frase “mãe só tem uma”, e um deles escreve o seguinte: “minha mãe pediu que eu fosse na cozinha e ver quantas garrafas de refrigerante haviam na geladeira, eu fui e vi que só tinha uma, então eu disse ‘ mãe só tem uma ’ ”.

Antes de continuar eu vou esperar vocês pararem de rir com essa piada, porque sério gente, ela é muito boa… só que não. Continuando.

Enfim, essa piada, engraçada ou não, sempre me fez pensar na seguinte pergunta “ para ser mãe é preciso parir? ”, e me perguntava isso não com a mente cheio de críticas, mas porque eu tive a chance de ter praticamente duas mães: a minha mãe biológica e aquela a quem eu chamava de madrinha (ela era madrinha de meu irmão mais velho, na verdade, mas eu ouvia ele chamando-a de madrinha, então eu repetia). A minha madrinha já se foi, está olhando por nós lá na pátria espiritual. Minha mãe biológica está aqui com a gente, e hoje eu irei ligar para ela para desejar um feliz dia das mães. Até lá, eu vou escrevendo.

Entre as muitas coisas que aprendi com elas, talvez uma das mais importantes foi ver as duas lutarem contra o câncer, praticamente juntas. Eram muito mais que amigas, eram irmãs. Acompanhei-as no hospital algumas vezes, porque nem sempre dava para ir junto. Lembro das cirurgias, das dificuldades, e das muitas dores que eu não senti. Uma delas perdeu essa luta, e seu corpo padeceu com a doença. Hoje eu me recordo com tristeza por não ter me despedido dela da forma como eu gostaria. Eu sabia e sentia que aquela seria a última vez que a veria em vida, mas eu não queria chorar na frente dela, não queria deixá-la triste. Pegá-la praticamente no colo e colocá-la na ambulância, pois ela não tinha mais forças físicas para ficar de pé, não foi fácil e até hoje me dá um nó na garganta ao lembrar disso. Depois de me despedir eu precisei chorar, chorei até entrar numa igreja para ter um pouco de silêncio, Curitiba é uma cidade barulhenta. Lá eu rezei e me senti refortalecido depois da oração. Sim, ela perdeu a batalha contra o câncer, mas eu não me recordo de ver minha madrinha revoltada, ou se queixando a todo momento, e essa foi uma das maiores lições que ela poderia me demonstrar, a lição da fé, e ela tinha muita fé. Preciso cultivar mais a minha.

Minha mãe biológica venceu o câncer, mas não foi fácil. Tirar o seio não é, nunca foi e dificilmente será uma cirurgia simples para uma mulher. Tomar essa decisão também não é nada fácil. Eu tive medo que minha mãe tivesse uma depressão, ou que o câncer retornasse, mas nada disso aconteceu. Ela precisava lutar, e para isso adquiriu armas, e a mulher dentro dela se fortaleceu, nos surpreendeu. Ela já tinha passado por outras cirurgias grandes, de risco, e passou. Medo? Com certeza tinha, mas foi e fez tudo o que tinha que fazer, porque chega um momento que não há muito o que se pensar, é sim ou não. Ela perdeu a mãe, minha avó, devido ao câncer, e acredito que isso fez com que o ela captasse logo a mensagem de que a hora de decidir era aquela e que não poderia esperar muito. Eu não sei se terei a mesma determinação que minha mãe teve se eu algum dia me deparar com esse tipo de situação, mas ela me demonstrou não com palavras, mas com atos, de que é possível lutar e vencer.

Eu tive duas mães, e agradeço à Deus por essa dádiva. Mas também tive e tenho outras mulheres mães ao me redor. Minha avó materna, que do alto dos seus 90 anos dava ordens aos seus filhos jovens de 60 e poucos anos, ela era minha madrinha, e eu gostava muito de conversar com ela, mas ela também já se foi. Poderia citar também as outras mães que me rodeiam, como minhas muitas tias, minhas primas, cunhadas, sogra, além de amigas, conhecidas, chefes, etc. Todas elas me influenciaram e influenciam de uma forma ou de outra, porque como disse Chico Xavier há muito tempo “ as mães têm um pacto secreto com Deus ”, e é por isso que nós homens temos muito o que aprender com vocês.

Bem, por um detalhe meramente biológico eu não sou e não posso ser mãe, pelo menos não nessa reencarnação. Mas desde janeiro de 2015 eu convivo novamente com uma mãe bem pertinho de mim: a mãe de minha filha, a minha esposa. A gravidez é um processo de nove meses normalmente, e que acaba com um parto que dura entre 1-12 horas (mas tudo pode variar), e a primeira vez que a Fer tomou conhecimento da maternidade foi com um exame de gravidez de farmácia. Desde aquele dia em maio de 2014, até hoje, maio de 2017, quantas mudanças. Ser mãe é um processo contínuo de aprendizado e de fortalecimento da alma, e a mãe da Sofia em 2015 não é a mesma mãe de 2017, e tenho certeza que a mãe Fer de hoje encontrará outra mulher no futuro, mais madura, mais forte, mais mãe… e como escrito acima, eu não posso dizer por experiência própria, só por observação. Claro que temos um caminho longo pela frente, já que nossa filha tem somente dois anos e pouco, mas é o suficiente para dizer que minha esposa é uma mãe maravilhosa, e que nossa filha tem muita sorte de tê-la como mãe, e eu ainda muito mais sorte de poder testemunhar isso todos os dias.

Aprendi que um filho cresce sem o pai, com dificuldades mas cresce, mas sem a mãe as dificuldades seriam muito maiores. Aprendi muito com as minhas duas mães, mas agora o processo é mais intenso e preciso correr para poder aprender o máximo possível de coisas com a Fer, pois ela tem um pacto secreto com o homem lá de cima, ou seja, ela sabe mais das coisas que eu. E assim, se minha filha se tornar mãe um dia, biológica ou não, e isso lá num futuro distante, que eu me recorde de tudo o que aprendi e observei para lhe dizer “ não tenha medo, tenha fé e seja determinada, pois Deus cuida de todo mundo, principalmente das mães ”.

 

 

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Vem, que a água está uma delícia.

 

Noutro dia me perguntaram do que eu sentia mais falta da época da vida de casado, mas sem filhos, isto é, comparando com a minha vida de agora, com uma filha, o que mais me fazia falta? Confesso que a pergunta me pegou meio de surpresa, não que eu não tivesse resposta para ela, mas porque nesses mais dois anos de paternidade eu nunca tinha parado para pensar nesse assunto com mais tempo. E foi isso o que a pergunta me fez, gastar um tempo pensando nela. E foi bom, me fez relembrar de muita coisa, e assim foi surgindo uma vontadinha de escrever.

Pensando na vida de casados e sem filhos eu percebo que ela foi bem gostosa, apesar de que vivi pouco essa fase, em duração eu quero dizer, mas foi um período muito importante e feliz na minha vida. Disso não restam dúvidas. Assistir a uma série com pipoca, as vezes com um vinho, era bem gostoso, programar uma viagem e achar um hotel era bem mais simples, comprar coisas para a casa, andar de avião não trazia maiores preocupações, acordar mais tarde e ficar um pouco mais na cama, para só depois fazer aquele café bem demorado sem se preocupar com horário, etc etc etc bota etc nisso. Ou seja, a vida de casal sem filhos é muito boa, principalmente quando se tem um(a) bom(a) companheiro(a), pois as coisas se tornam mais leves, mais gostosas. E eu tenho uma ótima companheira. No final das contas, o fato de eu aceitar que aquela era só uma fase foi muito importante para mim, e compreender que essa fase poderia demorar poucos meses ou alguns anos me facilitou a vida.

Porém, isso não é e nunca foi uma regra, simplesmente porque alguns já casam com filhos, ou o outro lado da moeda onde há aqueles que não querem ter filhos, sem contar aqueles que não permanecem para sempre casados com a mesma pessoa, e ai vem mais uma enxurrada de etceteras.

Enfim, refletindo sobre isso, a mensagem que me vem na cabeça é: não importa para qual lado você vai seguir, se vai ter filhos ou não, mas é importante ter em mente que se a gente quer crescer como pessoa, como cidadão, é preciso ter experiências novas, e que dentre as inúmeras possibilidades de crescimento, uma delas é ser pai, e que essa escolha é muito pessoal. Eu estou feliz com minha escolha, acredito que tenho aprendido muito com ela e com minhas meninas. E enquanto escrevo essas linhas me vem em mente um texto bem antigo, do livro Eclesiastes, onde diz que “tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”.

Para mim a paternidade chegou só depois dos 35 anos, mas sei de gente que chegou bem mais cedo, com 16 ou 17, mas há também aqueles que se tornam pai só depois dos 40, e por vai. A lista é grande. E aqui duas coisas são importantes de notar: primeiro que mais idade não é sinônimo de bom pai ou mãe, e segundo que não importa a idade, o que importa é poder dar o melhor de si. Nem sempre é fácil e tranquilo, tem dias difíceis, dias cansativos, e por ai vai, mas tudo passa, ficam as lembranças, o aprendizado e as milhares de fotos e vídeos no celular, computador, papel…

Mas na teoria a prática é outra, e falando bem a verdade eu me recordo de quando eu acordava de madrugada para cuidar da Sofia, ou nas muitas outras em que eu ajudava a Fer enquanto ela ninava a nossa pequena, e que naqueles momentos eu lembrava, por inúmeras vezes, do tempo em que eu podia chegar em casa e dormir no sofá sem me preocupar se havia leite ou fralda, se o aquecimento estava funcionando bem (onde eu moro é frio e sem aquecimento fica muito difícil, ainda mais com criança pequena em casa), se minha esposa estava bem, se minha filha mamou ou comeu direito, se fez cocô e xixi (sim, isso é importante, cheirando ou não), se a febre era por causa do dente ou era gripe, se a tomada estava protegida direito, etc etc etc e bota etcetera nisso.

E olhe que somos dois adultos cuidando de uma criança, minha esposa muito mais do que eu, mas mesmo assim somos dois e confesso, tem vezes que não damos conta, simplesmente porque é muita energia acumulada para ser gasta, e ela precisa ser gasta, esteja você com sono, com dor de cabeça, cansado, ou exausto, isso não importa, pois a regra é simples e única: a criança só dorme se estiver cansada, e se a criança não dormir, ninguém dorme, incluindo os vizinhos se você mora num prédio. O interessante é que ao escrever isso eu comecei a sorrir aqui sozinho na sala, porque tudo isso acaba virando estória para contar depois, como “lembra de quando a Sofia começou com os dentes”, “lembra quando ela mamava 8 vezes ao dia incluindo duas na madrugada?, “Será que a vizinha dormia? ”. Não sei se os vizinhos achariam graça disso tudo, mas eu estou achando.

Com a chegada dos filhos uma coisa é certa, a privacidade acaba, principalmente no banheiro, já que chega um momento que você percebe que seu filho ou filha pode ficar preso lá dentro, e assim os pais acabam dando um jeito de deixar a porta “intrancável” (entre aspas porque, primeiro essa palavra não existe, e segundo, e o mais importante, porque uma criança sempre consegue fazer muito mais do que nós adultos imaginamos. Acredite e aceite esse ponto!!).

Eu acabei recordando de uma velha piada, onde cara pula na piscina sem saber que a água estava gelada, porém, para sacanear com os amigos ele não pensa duas vezes e começa a chama-los: “vem, a água está ótima! ”. Enfim, é mais ou menos assim que é na paternidade, você se joga na água e leva um choque de início, porque a realidade nem sempre é como descrevem nos livros e, na verdade, cada um terá sua própria realidade, parecida ou não com a do livro, mas será a sua realidade, somente sua e de mais ninguém. Porém, o choque do início passa logo, e apesar da água estar fria e as vezes dar vontade de sair correndo, digo com tranquilidade que é muito divertido brincar na água, a gente se adapta muito rápido.

E se alguém me perguntar se a vida de casados e sem filhos é boa, eu digo que sim, é ótima, mas a brincadeira aqui dentro da piscina ta super divertida. Vem, que a água está uma delícia.

 

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Aquilo que não fiz…

Sinto falta daquilo que não fiz
Mas, palavra alguma sai da minha boca
Para reclamar os dias que já se foram
Talvez um suspiro, quem sabe
Mas não… nada!
Uma palavra não dita
Uma ação não cometida
Por que não disse ou não fiz?
Foi ontem, anteontem, quando?
Não sei, mas vou andando,
Não é assim que se diz?
Dúvidas que não tiveram sequer perguntas,
Quem dirá respostas
Amores não sofridos
Dores não sentidas
Tempos idos…
É o resultado de querer abraçar o mundo
Embora não podendo
E na esperança de continuar querendo
Mesmo que eu esteja sofrendo
Me agarro no SE
Esqueçendo por um momento
De tudo aquilo que até agora fiz
Mas SE eu tivesse feito o que não fiz
Talvez hoje eu fosse mais feliz
Não que me arrependa das escolhas que fiz
Só sinto a falta dos desafios
Que não tive ou não quis!
Tolo por pensar assim?
Talvez…

(poesia publicada na Antologia “Cumplicidade das Letras”)

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Mais uma de amor

Faltam-me palavras para descrever o que é o amor
Pelo menos pra mim
Que no palco da vida é somente mais um ator
Idiomas existem vários
Porém… nem todos se entendem
Por certo não é uma questão monetária ou geográfica
Nem menos um mais um como na matemática
Filosófica, poética?
Uhmmm… talvez…
Talvez, o amor seja um sentimento sem sentir
Um dizer sem falar
Um olhar sem ver
Um afago sem tocar
Um adeus até mais ver
É… realmente é difícil definir
Amar talvez seja quando
Não precisamos escolher
Nem se importar com as alternativas
Somente aceitá-las.

(poesia publicada na Antologia “Varal do Brasil”)

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Sentimentos

Paixão que enlouquece
Dor que se padece
Cansaço que adormece
Ânsia de viver…

Desilusão que se esquece
A chance que acontece
O renascer que enriquece
O ter que aprender…

O frio da distância que entristece
A impaciência que aparece
O calor do abraço que aquece
O muito há se entender…

Medo de sentir ou sentir medo de?
Tudo pode ser muito, ou nada
Amar, porém, precisa que ser sempre!

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