Mundo de Regeneracao II

Certo dia um dos anjos mais conhecidos daquele departamento celeste recebeu uma mensagem curta e que dizia o seguinte:

Prezados trabalhadores do ideal divino,

A regeneração está planejada para começar logo, e daqui a uns 250 anos, isso na contagem terrestre, ou lá depois dos anos 2000, o globo irá entrar numa nova fase evolutiva no caminho da luz divina. Estou muito animado e vejo um futuro brilhante pela frente. Tenho muitas ideias para apresentar a vocês e os convoco para uma reunião lá na sala principal do Departamento dos Destinos Divinos. Como sempre eu vos lembro para que não esqueçam de trazer suas próprias ideias para discutirmos.

Atenciosamente e ansioso para ouvi-los,

J.C.

Gabriel sempre recebia mensagens assim e já deveria estar acostumado com elas, mas novamente lá estava ele ansioso. Era o jeito Gabriel de ser, sempre querendo tudo certinho e trabalhando duro para que as coisas acontecessem. Mas foi nesse curto momento de ansiedade que ele recordou das palavras do mestre Galileu que disse “pedi e obtereis”, levando-o a fechar os olhos e elevar os seus pensamentos ao alto para fazer uma singela oração. Ao ficar mais calmo e sereno ele deixou que um sorriso surgisse no seu rosto e com isso sua ansiedade foi aos poucos desaparecendo.

E foi assim que ele seguiu na preparação dos planos que ele tinha para a regeneração, com esperança e fé. E ele realmente precisava de fé, pois levar ideias e sugestões para aquele que tinha enviado a mensagem não era uma tarefa fácil, convencê-lo então…

Mas, por onde começar? Bem, para começar a bolar qualquer plano ele percebeu que precisava saber quantos espíritos estavam encarnados e desencarnados naquele momento, quando nos aproximávamos do ano 1800 depois da vinda do tipo mais perfeito que Deus tinha oferecido ao homem, nosso modelo e guia Jesus. Do total de quase 22 bilhões de espíritos em evolução ao redor do planeta Terra, ele anotou que haviam 21 bilhões de espíritos desencarnados para somente 1 bilhão de encarnados. E foi somente depois de se deparar com aqueles números que Gabriel se tocou do tamanho da tarefa que vinha pela frente. E ao invés de fazer uma lista de sugestões e ideias ele passou a escrever as suas dúvidas sobre o projeto.

Gabriel percebeu que o tempo passava e nenhuma ideia surgia, mas mesmo assim continuava a anotar suas dúvidas porque entendeu que aquelas eram questões importantes e que precisavam ser levadas em consideração. A ansiedade mais uma vez vinha trazer um pouco de medo, mas no meio disso tudo só havia uma coisa que o deixava realmente confiante no projeto: quem assinava embaixo era Jesus, então não tinha como dar errado.

O tempo passou e o dia da reunião chegou. Jesus em espírito estava presente com toda a sua glória e humildade, trazendo sempre consigo a paz que ele tinha prometido nos dar. Junto dele havia uma comitiva celeste e que iluminava todo o recinto. Sorrindo e confiante Jesus deu início à reunião.

– Bem-vindos meus irmãos amados. Que felicidade estar aqui com vocês para tratar de um assunto tão importante para mim e para nosso pai. O progresso nos chama e precisamos caminhar na direção da luz, por isso chegou a hora da Terra dar mais um passo rumo ao pai. Quase dois mil anos se passaram desde que eu deixei as vestes carnais, deixando a alguns espíritos caros a responsabilidade de divulgar minha mensagem, a boa nova que vinha do Pai. E para dar início à nossa reunião preciso relembrá-los do compromisso que assumi com todo o orbe terrestre quando encarnado na Judéia e que meu discipulo amado Joao eternizou em seu evangelho: “Se me amais, guardai os meus mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro consolador, para que fique eternamente convosco, o Espírito da Verdade, a quem o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece. Mas vós o conhecereis, porque ele ficará convosco e estará em vós. Mas o Consolador, que é o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.”

Jesus se virou para Joao, que também estava presente, e os dois sorriram como se estivessem a recordar do momento em que aquelas palavras foram ditas, fazendo com que todos os presentes sentissem uma paz indescritível. Após alguns instantes Jesus deu continuidade.

– Muito bem, o consolador chegará ao orbe terrestre em breve, levando junto o esclarecimento necessário para a Regeneração. Muito bem Gabriel, para começar eu gostaria de ouvi-lo.

Gabriel tomou um susto e se sentiu envergonhado, já que ele não tinha ideias, só dúvidas.

– Mas Mestre, eu… bem, na verdade, eu não tenho nenhuma ideia ou sugestão, só trago dúvidas. Me perdoe!

– Não precisa se desculpar, não estamos aqui para julgar, estamos aqui para juntos traçarmos planos. E não se engane perante as dúvidas, pois são elas que nos auxiliam a ver o melhor caminho a seguir, e prever os possíveis tropeços. Entenda, essa é uma nova etapa no projeto divino para a Terra, e tudo o que é novo traz consigo dúvidas. Mas nunca nos esqueçamos que quem está no comando é nosso pai, por isso não deixemos que essas dúvidas nos paralisem. Tenhamos fé.

Gabriel recebeu uma dose de esperança e fé incalculáveis, e foi com essa fonte extra de energia que iniciou a leitura de sua lista.

– Mestre, para começar eu diria que temos um problema matemático. Há muitos espíritos desencarnados no orbe terrestre, a grande maioria como o senhor bem o sabe e, bem, honestamente eu não sabia que o Consolador seria enviado logo, portanto, a minha primeira dúvida é como que iremos dar a chance para esses desencarnados também desfrutarem da luz que o Consolador irá trazer? É claro que eles também irão perceber essa luz aqui no mundo espiritual, mas a maioria necessita reencarnar, é muito debito a ser sanado, muitos precisam ser chamados à responsabilidade. Sendo assim, como dar a chance para mais de 21 bilhões reencarnarem num planeta com tantas deficiências materiais? Muitos que nascem sequer chegam aos 5 anos, a maioria não passa dos 40 anos, há muita fome e doenças, e…

– Entendo suas dúvidas Gabriel, são muito justas – interrompeu o Carpinteiro Celeste com muita caridade – mas quero, antes de mais nada, relembrar o que foi dito. O Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto eu disse, principalmente da misericórdia divina, a qual nunca cessa. Portanto, esses bilhões de irmãos irão sim receber a chance de reencarnar, e para que isso seja fisicamente possível nós contamos com alguns milhares de espíritos devotados no desenvolvimento da ciência e que estão encarnados nesse momento na Terra, fincando os palanques necessários para o estabelecimento de todas as grandes áreas do conhecimento, os quais também fortaleceram as bases de uma fé raciocinada. Com a asa da sabedoria fortalecida e a da fé restabelecida, o voo na direção do alto ficará mais fácil.

Jesus silenciou por alguns instantes e em seguida prosseguiu.

– Essas novas ciências surgirão primeiramente em alguns pontos, mas se espalharão em seguida por todo globo, mais cedo ou mais tarde. A qualidade de vida vai aos poucos melhorar, os espíritos encarnados terão mais tempo disponível para executar suas tarefas pois irão desencarnar cada vez mais tarde. A mortalidade infantil irá diminuir, pois as condições de saneamento serão aprimoradas, sem contar no alimento para o corpo que será cada vez mais disponível. Enfim, em linhas gerais os próximos séculos serão de muitas descobertas, e é bem provável, e digo isso com muito pesar, que essas melhoras levem a alguns homens a deixarem que a vaidade e o orgulho tomem conta de suas diretrizes fazendo com que acreditem não necessitar mais de Deus. Mas até que esse dia chegue teremos muito trabalho pela frente.

Jesus fez uma nova pausa, e logo continuou.

– Obviamente que iremos precisar de uma base social diferente para abrigar tanta gente junta, e isso também está sendo discutido e estudado por abnegados irmãos que já vestiram as vestes carnais com esse objetivo. Outros irão seguir em breve. Reconheço também que as doenças irão se espalhar com mais rapidez, mas fiquem sabendo que queridos companheiros já iniciaram o desenvolvimento de uma medicina mais eficaz. No entanto, no meio de tantas conquistas haverá também a guerra, pois, as diferenças de pensar se tornaram mais evidentes, levando a atritos desnecessários. Como consequência o sofrimento e o desespero irão alcançar o coração do homem com muita força, e para sanar essas dores outros trabalhadores irão desenvolver novas ferramentas para o entendimento da psique humana, o que irá trazer alento para muitos de nossos irmãos mais sofridos.

Jesus falava enquanto que ondas de luz se espalhavam pela sala onde estavam. Sua voz branda continuava a ecoar pelo ambiente.

– Até aqui, porém, eu falei basicamente de problemas materiais e de como iremos resolver a reencarnação dos mais de 21 bilhões de espíritos e de alguns possíveis problemas que irão surgir. Mas para que a regeneração possa ser efetivamente iniciada é preciso coisas novas, e é aqui que começa o papel do Consolador prometido, que irá levar conhecimento das coisas, fazendo que o homem saiba donde vem, para onde vai e por que está na Terra; ele irá atrair para os verdadeiros princípios da lei de Deus e consolar pela fé e pela esperança, esperança essa que eu levei junto com a boa nova quando estive na Judéia. A árvore do evangelho, porém, já foi transportada para outras terras, e lá o Consolador irá encontrar terreno fértil, florescerá e dará muitos frutos. Para finalizar e resumir, querido Gabriel, teremos condições materiais para reencarnações em massa ao mesmo tempo que teremos enfim condições para que um entendimento espiritual com bases sólidas seja estabelecido na Terra. Não sou eu quem diz, mas nosso Pai.

Gabriel começa a folhear suas anotações e percebe que quase todas as suas dúvidas tinham sumido, restando somente uma.

– Mestre, o que queres que eu faça?

Jesus olha para Paulo de Tarso, que estava sentado ao seu lado, e relembram o inesquecível encontro nas portas de Damasco. O bom mestre se levanta, vai até Gabriel e diz.

– Levanta-te e vai com Paulo que ele te dirá o que precisa ser feito.

 

Anúncios
Publicado em Pensamentos | 2 Comentários

É preciso aprender coisas novas

A nossa raça, Homo Sapiens, vem dominando a Terra já faz um bom tempo e se desenvolvendo em sociedade há uns 10-12 mil anos, talvez mais, talvez menos, isso sem contar os milhares de anos onde vivíamos praticamente como animais, juntando do chão o que queríamos comer ou caçando um animal selvagem de vez em quando, não esquecendo de que também fomos caçados.

Usávamos da força bruta, da violência para tentar sobreviver. Aprendemos o valor do poder e parece que gostamos dele. Percebemos que se possuíssemos mais as coisas seriam mais fáceis. Compreendemos que em grupos éramos mais fortes e que os mais fracos deveriam ser obedientes, e dessa forma o espírito que habitava naquele ser também foi se desenvolvendo, evoluindo… ou seja, melhoramos materialmente, socialmente e espiritualmente.

Olhando para essa nossa história espiritual aqui na Terra, de algumas dezenas de milhares de anos, fica fácil de entender o porquê trazemos tantos hábitos/costumes ligados à matéria (poder, violência, egoísmo, etc.) e o porquê é tão difícil se desvencilhar deles. Em poucas palavras, nós estamos acostumados a isso, é um HÁBITO, e como todo bom hábito é difícil mudar, simples assim. Quer um exemplo, é só olhar para o que mais da audiência, ou aquilo que mais chama a atenção das pessoas, e isso em qualquer meio (virtual ou não): violência, poder e sexo, um tripé extremamente forte, que ainda nos move e movimenta bilhões de dólares ou reais ou euros ou qualquer moeda que você escolha, pois isso independe de geografia biologia ou caligrafia.

Noutro dia participava de um estudo sobre o livro O que é o Espiritismo e o grupo discutia sobre se era certo ou não aceitar pagamento pela mediunidade que temos (psicografia, cura, etc.) assim como pelos atendimentos espirituais que por ventura oferecêssemos. A discussão estava boa e no meio dela recordamos do lema “Dar de graça o que de graça recebeste”, o qual é um dos pilares do espiritismo e que nos orienta afirmando que a mediunidade é algo que deve ser feito de coração e de graça, em outras palavras, sem interesses. Mas alguma coisa me deixava pensativo, e por mais que eu lesse e entendesse que aquele lema era certo, lá no fundo algo me dizia que estaria tudo bem caso eu aceitasse ganhar um dinheirinho por meu trabalho mediúnico, e que não haveria problema caso isso ocorresse. Fiquei pensando naquilo por um bom tempo, e só depois de uns dias que eu me toquei do porquê que eu estava pensando daquela forma, e a reposta era simples: HÁBITO, isto é, embora meu espírito esteja evoluindo há muuuuiito tempo, eu ainda estou muito ligado à matéria, e qualquer coisa que me traga algum benefício material será mais do que bem-vindo, inclusive o econômico.

Ou seja, é natural a gente ter facilidade em entender e viver a vida dessa forma, materialmente, e é também natural a gente ter muitas dificuldades em entender as coisas da forma como o espiritismo nos traz, e mesmo que a razão nos mostre que a realidade espiritual é um fato nós não podemos negar a força que esse costume, que esse hábito tem. Ainda nos falta mais prática espiritual, e eu me incluo nesse grupo dos que ainda necessitam mais exercícios.

Mas antes de continuar aqui cabe alguns comentários. Nós vivemos num mundo de provas e expiações e a matéria se faz necessária para viver nele, portanto, não é errado cuidar dela, mas talvez devêssemos dar uma atenção para o espírito também, pois não é só do pão que alimenta o corpo que o homem vive, o espírito também precisa saciar sua fome. Além disso, o espiritismo nos diz que estamos numa permanente transição, sempre evoluindo, e é sabido também que dentro da escala espiritual proposta por Kardec em O Livro dos Espíritos nós ainda estamos mais próximos do início dela, onde a influência da matéria é muito forte na gente, nos nossos atos, nas nossas escolhas, etc. A misericórdia divina, porém, nunca esteve em falta, e foi a partir dela foi que espiritualidade maior veio nos apresentar uma nova realidade, baseada no espírito, e nessa realidade a matéria tem menos importância.

Parafraseando o que disse Haroldo Dutra Dias em uma de suas palestras “o que foi feito até aqui está bom, nos fez aprender muita coisa, mas para seguir é preciso aprender coisas novas“, e eu entendo que uma dessas coisas novas que precisamos aprender é trabalhar a nossa espiritualidade. Nosso próximo passo evolutivo é, portanto, termos uma compreensão espiritual melhor. Estamos alcançando um platô de aprendizado com a matéria, digamos assim, e logo tocaremos o ponto de inflexão, onde a curva muda de direção, e esse é um ponto chave de nosso desenvolvimento. Podemos ficar ali parados, isto é, podemos escolher viver na matéria? Momentaneamente sim, eternamente não, uma hora ou outra seremos arrastados pela correnteza do progresso, não podemos fugir disso.

Receber pela mediunidade que temos, portanto, é bem aceita quando levamos em conta a nossa parte mais material, ou melhor, os nossos últimos milênios de evolução. Mas, conforme os bons espíritos nos garantem, caso queiramos ter boas vibrações ao nosso lado, ter contato e comunicações com espíritos mais elevados, ou menos materializados, é importante que o trabalho mediúnico seja desinteressado, ou desvinculado de qualquer valor monetário. Por que? Porque o dinheiro tem laços materiais enquanto que a mediunidade tem laços espirituais, ou seja, não devemos misturar alhos com bugalhos.

Um outro exemplo é a Caridade, que adquire uma nova abordagem ou perspectiva quando além da componente material levamos em conta também o fator espiritual. De acordo com os bons espíritos “A mais meritória (virtude) é a que se baseia na mais desinteressada caridade”, onde fazemos caridade sem interesses pessoais, fazemos o bem pelo bem, e onde “a benevolência para com todos, a indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas” é o verdadeiro sentido da palavra Caridade, conforme entendia Jesus. Portanto, dar esmola na rua mostrando o quanto somos bons pode até ajudar a quem recebe a esmola e espalha nossa imagem de bons corações, mas também pode humilhar quem recebeu a esmola e mostrar que demos dinheiro para nos livrarmos daquele “peso”. É preciso entender que tanto a humilhação assim como a caridade material (dar o dinheiro nesse caso) são coisas que a gente já sabe fazer, já fazemos isso a tempos. Para seguir precisamos aprender coisas novas, tais como não humilhar e dar esmola com a mão direita sem que a esquerda saiba. Esses são desafios grandes.

Aliás, “fora da caridade não há salvação” é outro lema do espiritismo, pois a caridade é a maior de todas as virtudes, e ela é a nossa melhor ferramenta para trabalhamos nosso lado espiritual. Há dois mil anos Jesus nos pediu para amarmos uns aos outros assim como ele nos amou. Ele nos ensinou o caminho, nos mostrou através de seu exemplo, e por fim prometeu ir direto ao Pai e pedir, caso nós guardássemos seus mandamentos, para nos enviar o Consolador, aquele que nos faria lembrar de tudo o que ele nos disse. E qual foi uma das primeiras coisas que o Espírito da Verdade nos pediu? “Espíritas!, amai-vos, eis o primeiro ensinamento. Instruí-vos, eis o segundo. Todas as verdades são encontradas no Cristianismo.

Temos passados milhares de anos, inúmeras encarnações nos instruindo, somos cada vez mais capazes de entender o porquê das coisas, e hoje conseguimos explicá-las com uma riqueza de detalhes como nunca antes. Porém, muito pouco temos trabalhado no Amar, e a razão é simples: para instruirmos precisamos basicamente de nós mesmos, mas o amar exige comunhão com outras pessoas, e aqui começam as dificuldades. E foi esse o motivo pelo qual Jesus veio até nós nos deixando um convite que é o seu Evangelho de Amor.

A tarefa agora é coletiva, precisamos definitivamente aprender coisas novas.

Imagem | Publicado em por | 1 Comentário

Mesmo que eu soubesse todas as línguas!

Richard Feynman (1918-88), famoso cientista americano, gostava muito de contar uma passagem de sua infância quando seu pai lhe ensinou o nome de um pássaro. Tudo começou quando seu pai apontou para a ave e perguntou o seguinte:

– Você sabe o nome daquele pássaro?

– Não! – respondeu Feynman. E seu pai então lhe contou o nome do pássaro não só em inglês, mas em vários idiomas, iniciando com o inglês, depois em alemão, seguindo pelo chinês, japonês, etc., e por fim disse:

– Meu filho entenda que quando você souber o nome desse pássaro em todas as línguas existentes no mundo no final você não saberá absolutamente nada sobre o pássaro.

E a verdade é que o pai dele tinha toda a razão, falar sobre o nome das coisas pode até ajudar a saber sobre o que estamos falando, pode até ser o início de um diálogo, mas dificilmente nos trará alguma informação sólida sobre o tema, e isso só virá se nós dedicarmos um tempo para aprender e estudar a fundo qualquer que seja o assunto.

Por exemplo, há muitos nomes para descrever ALMA, ou o ser incorpóreo que os espiritualistas (assim como eu) acreditam que existe além do corpo material. Há aqueles que chamam de alma, outros de espírito, alguns de ser extracorpóreo, mas há também os que o definem como a mente, o ser pensante, etc., e isso somente em português, mudando de idioma iriamos escrever aqui uma lista muito grande de como os inúmeros idiomas do mundo descrevem a ALMA, e mais uma vez, por mais longa que seja essa lista nós não saberíamos nada, ou quase nada sobre o que é ALMA, se ela existe, qual sua função, quando foi criada, etc.

Eu confesso que não sei profundamente como que as outras doutrinas espiritualistas descrevem esse ser, mas aqui eu irei falar rapidamente sobre o que eu tenho aprendido com o espiritismo sobre o assunto. Quando o Prof. Rivail, depois conhecido como Alan Kardec, teve contato com as mesas girantes pela primeira vez em 1855, ele percebeu que naquele fenômeno havia algo muito mais profundo do que simplesmente uma atração popular, e que aquilo deveria ser estudado a fundo. E foi através desse estudo, junto com uma equipe de inúmeras pessoas em vários países e inúmeros idiomas, encarnados e desencarnados, que Kardec publicou uma série de livros, além de um periódico por mais de 12 anos, sem contar nas milhares de correspondências que recebia e que Kardec fazia questão de responder, tudo isso lhe conferindo uma bagagem muito grande para entender o que é alma.

Kardec foi a fundo sobre o tema, foram quase 15 anos de trabalhos intensos entre 1855 e 1869, nos trazendo uma visão mais clara sobre o que é a Alma e qual sua função em nossas vidas. Então, quando eu quero saber mais a fundo o que é o espírito ou alma de acordo com a visão espírita eu preciso me debruçar na obra de Kardec e estudar, porque ali está a base de todo o espiritismo. Da mesma forma, se eu quero saber mais sobre Física Quântica eu devo procurar obras de autores que estudaram o tema a fundo, ao invés de pegar um livro de um autor que está cursando o primeiro semestre de Física.

Na dúvida lembremos de Paulo de Tarso em sua primeira carta aos Tessalonicenses, capítulo 5, versículo 21 “examinai todas as evidências, retende o que é bom.

 

Publicado em Pensamentos | Deixe um comentário

Mundo de Regeneração 1

O espírito de Emmanuel nos trouxe uma relevante informação no livro Roteiro, numa psicografia de Chico Xavier. Lá no capítulo 9 ele descreve que a população espiritual na Terra é de aproximadamente 22 bilhões de espíritos, entre encarnados e desencarnados. Achei interessante essa informação e quando percebi lá estava eu a procurar mais sobre a evolução da população no nosso planeta, e foi nessa pequena pesquisa que acabei encontrando algumas estatísticas.

Através de estimativas sabe-se que em 1800 éramos quase um 1 bilhão de encarnados, o que hoje é menos que a população da África. Na época em que o livro Roteiro foi psicografado, em 1952, haviam mais de 2 bilhões de alunos, assim descritos por Emmanuel os habitantes da Terra. Já quando eu nasci, em 1977, éramos mais de 4 bilhões de habitantes. Hoje, em 2018, somos 7.5 bilhões de encarnados e nos aproximamos dos 8 bilhões. Por fim, estima-se que a população atinja um equilíbrio em 2100 chegando à 11 bilhões de habitantes.

Mas há mais números interessantes. Hoje vive-se muito mais quando comparamos com 1800, e dependendo do local pode-se chegar aos 80 ou 85 anos facilmente, ou seja, a gente só precisa nascer no lugar certo. Isso é mais do que o dobro do que se vivia em média um ser humano há 200 anos na Europa, por exemplo.

Com essas informações em mãos pode-se concluir algumas coisas:

  1. Na época em que Kardec viveu havia muito mais espíritos desencarnados do que encarnados, numa razão de mais ou menos 21 para 1. Ou seja, e o que não faltava era ser desencarnado disposto a mover mesas pela Europa e América do Norte… o que não faltava era ser desencarnado querendo encarnar… o que não faltava era ser desencarnado capaz de dar palpites em sua vida enquanto encarnado.
  2. Ocorreu uma boa esvaziada no umbral e em outras esferas espirituais que contornam a Terra nesses últimos 200 anos, e há aproximadamente 6.5 bilhões de espíritos a menos nas esferas espirituais ao redor da Terra desde 1800. É muita coisa, e isso ainda não parou, ainda há mais espaço para esse esvaziamento.
  3. Atualmente há mais ou menos 2 espíritos desencarnados para cada 1 encarnado, ou seja, muito menos que os 21 desencarnados para 1 encarnado da época em que Kardec nasceu, e em alguns anos essa razão será de 1 para 1.
  4. Hoje demoramos mais para morrer e, portanto, passamos muito mais tempo encarnados do que em 1800.

E através dessas quatro singelas e curtas conclusões (porque, na verdade, há muito, mas muito mais a ser discutido em cima desses números, aqui eu só escrevi quatro pontos) eu concluo o seguinte:

Muito se fala da passagem da Terra de Mundo de Provas e Expiações para Mundo de Regeneração, e muito se espera que algo grande aconteça, algo fantástico, monstruoso na Terra, tal como uma grande catástrofe (terremotos, maremotos, etc.), mas talvez a passagem para a Regeneração já tenha começado, e isso se deu através do esvaziamento do mundo espiritual. Some-se a isso o fato de vivermos mais hoje do que em 1800, e isso vale para todos os lugares do globo, nos levando a crer que hoje temos muito, mas muito mais responsabilidades em nossas costas do que há 200 anos.

Por que?

Primeiro porque há menos espíritos desencarnados (em sua grande maioria composta de espíritos pouco elevados, assim como eu e você que está lendo esse texto) o que diminui a sua influência sobre nós devido ao menor número destes ao nosso redor e nos dando pitacos, na maioria das vezes pouco proveitosos. Portanto, não podemos mais dizer que sofremos dessas influências para nos livrar das consequências. Mas não nos esqueçamos do seguinte: somos menos elevados e precisamos reencarnar, mas nem todos espíritos precisam, principalmente os que são de ordem superior e que por isso ficam na esfera espiritual nos cuidando, aqueles que chamamos de nossos anjos da guarda, e esses espíritos têm uma influência muito grande sobre nós, menos elevados. Porém, eles entendem que estamos num processo evolutivo e que estamos num grau onde já conseguimos andar com os nossos próprios pés, nos trazendo ainda mais responsabilidade sobre nossos atos.

Segundo porque vivemos mais, e com isso temos mais tempo para fazer mais coisas, cumprir mais metas, expiar mais. Portanto, não podemos mais alegar falta de tempo, pois com 80 anos dá pra ver nossos bisnetos e tataranetos nascerem, tarefa a ser realizada é o que não faltará.

Sendo assim, como uma menor influência de espíritos desencarnados menos elevados e com mais tempo encarnados é esperado que façamos mais, e é bem plausível que isso signifique que tenhamos mais responsabilidades. Portanto, Deus espera mais da gente, por isso nos deu essa chance, não por querer nos castigar (lembre-se que a reencarnação não é castigo, mas sim um sinal da misericórdia divina), mas porque Ele acredita na gente, e a pergunta que devemos, ou deveríamos fazer a Ele é: “Senhor, o que queres que eu faça?”.

Publicado em Pensamentos | 2 Comentários

Escalando o Everest

Escalar o Monte Everest é o maior desafio e maior sonho de qualquer alpinista, seja ele profissional ou somente de final de semana. Ele é ponto mais alto do planeta e fica situado no Nepal com seus imponentes 8848 m de altitude, é altitude para mais de metro. Aquele que já se imaginou subindo essa montanha sabe que não é uma coisa simples de se fazer, exige treinamento, muito treinamento, anos para falar bem a verdade.

Por exemplo, se eu decidir hoje que eu quero chegar lá é preciso um planejamento de no mínimo alguns bons anos de treinamento (10-20 ou talvez mais, talvez menos, depende do quanto eu irei me dedicar para chegar lá) além de mais alguns bons milhares de dólares na conta somente para esse investimento. Não esquecendo de que eu também precisarei contar com a sorte de chegar lá e ter um tempo favorável para a escalada, o que nem sempre acontece.

E tudo começa com o primeiro passo, o segundo, depois vem o primeiro morro, seguido do segundo morro, depois uns 2-3 mil metros, aí já da para pensar em passar dos 3.0 mil e quem sabe chegar aos 4.0 mil de altitude, repetir, subir em outro para ver as dificuldades. Nesse momento os custos começam a subir pelo simples fato de não haver montanhas altas em todas as esquinas e, portanto, chegar aos 5.0 mil metros pode demorar mais do que eu imaginava, e talvez os 6.0 mil devam ficar para depois, bem depois. Continuo e subo um, subo outro, e de novo, me preparo bem para os 7.0 mil mas reconheço que não vou dar conta, mesmo assim tento de novo, de novo até conseguir. Quando então percebo que pode ser que o momento esteja chegando e por isso começo a organizar a compra dos tickets para o Nepal, organizar as estadias, ver onde vou ficar, etc. O voo, mais um de vários até aqui e contabilizando, vamos dizer, alguns milhares de quilômetros entre voos e viagens de trem ou carro, me leva até onde o Everest está.

E lá vamos nós, sobe 2.0 mil, 3.0 mil… 5.0 mil… 7.0 mil e agora está perto… 8500m… 8800m… posso enfim vê-lo com os meus próprios olhos. Agora não é mais uma simples foto que me mandam, sou eu quem está ali e a emoção é indescritível. Eu deveria estar olhando para cima, para o pico, mas nesse momento algo me leva a olhar pra baixo, e por alguns instantes me recordo do quanto caminhei até chegar aqui, recordo que essa caminhada foi feita com muita gente me dando apoio e suporte, e que sem eles eu não conseguiria nem 10% do que alcancei. Muitos anos se passaram e agora preciso de somente mais alguns passos. Me viro novamente e fixo meus olhos no cume, pois ele me aguarda de braços abertos. Só mais alguns passos são dados e a única coisa que consigo fazer é me ajoelhar perante sua forca e imponência. Cheguei!

Quando lemos a pergunta número 625 de O Livro dos Espíritos, “qual o tipo mais perfeito que Deus já ofereceu ao homem para lhe servir de guia e modelo?” e os espíritos respondem sem pensar “Jesus”, muitos de nós, espíritas, pensamos: mas e agora José? Como é que eu saio dessa, ou melhor, como que eu faço para ser igual a ele se sei que tenho tantos defeitos a serem corrigidos e inúmeras virtudes a aprender?

E a reposta é simples, planejamento, e da mesma forma que qualquer um faria para subir o Everest nós precisamos de planejamento para chegarmos a ser como Jesus já é. Assim como o objetivo do alpinista é subir até pico do Monte Everest, Jesus é nosso modelo e guia, ele é o nosso Everest.

Então como chegar até ele e tentar seguir seus passos? Começando por aceitar que isso não quer dizer que temos que ser como Jesus a partir do exato momento em que lemos esse parágrafo, simplesmente porque isso é pouco provável de acontecer. Bem, sejamos sinceros né, é impossível que consigamos ser como Jesus em apenas uma encarnação. Depois de aceitar esse ponto é importante não esquecer que não faremos essa jornada sozinhos, que nesse trajeto iremos precisar do apoio e suporte de muita gente, de muito anjo da guarda e espírito protetor. O processo é coletivo.

Por exemplo, se quisermos subir o Monte Everest hoje o que vai acontecer? Morrer, certamente. Para evitar isso precisamos de anos e anos de treinamento e planejamento, como já descrito acima. Primeiro, subir aqui até o primeiro morro, depois outro e outro, em seguida uma montanha e outra… até chegar no Everest em alguns anos.

Chegar a ser Jesus funciona da mesma forma. Como eu já disse, ele é o nosso Everest, mas então a pergunta correta a ser feita é qual é o nosso primeiro morro? Qual é nosso primeiro passo? Isso mesmo, primeiro passo, porque toda jornada começa com um simples e primeiro passo. E mais, somos nós que decidimos dá-lo ou não. Livre arbítrio, lembra? Sim, já somos capazes de tomar muitas decisões, não podemos mais nos esconder no manto do “eu não sabia”. O nosso primeiro passo pode ser seguir o exemplo de nossos pais ou daqueles mais próximos de nossas casas. Assim, se seguirmos esse exemplo podemos passar para o próximo, que pode ser olhar os nossos professores, ou alguém da comunidade onde moramos, depois quem sabe alguém do estado, do país, passando por aqueles que fazem do mundo um lugar melhor, que lutam pelas crianças, para erradicar a fome do mundo… a lista é grande, mas a jornada começa sempre com o primeiro passo.

Enfim, independente das listas de exemplos a mensagem que eu gostaria de passar é que realmente é pouco provável que consigamos vir a ser exatamente como Jesus numa única encarnação, mas ele com certeza está nos observando e nos esperando de braços abertos lá no topo da montanha. Ele sabe das dificuldades que existem até chegar lá, ele sabe que se quisermos podemos também mover qualquer montanha de nosso caminho. Ele sabe de tudo isso, ele acredita nisso, ele vive isso, mas nós ainda não, por isso que nosso primeiro passo é muito importante, porque ele representa nossa fé, e dá-lo na direção de Jesus já é muita coisa.

Chegar até ele talvez demore um pouco, mas um dia, com muito planejamento e muitos bônus-hora, como em Nosso Lar, a gente chega lá, e ao vermos Jesus em nossa frente é bem provável que cairemos de joelhos perante sua grandeza e sua luz. E nesse momento eu acredito que ele irá segurar nossas mãos, nos saudar e abraçar para em seguida nos  dizer “Você lembra do que eu disse quando estive aqui? Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai, senão por mim. Se me conheceis, conhecereis também a meu Pai… Bem, tu chegaste aqui e agora já me conheces. Sendo assim, tem alguém muito especial que eu quero te apresentar, alguém que já te conhece há muito tempo. Eis aqui meu Pai, eis aqui o nosso Pai”.

Que assim seja.
Esslingen, 19.03.2018

Publicado em Pensamentos | 1 Comentário

Tudo passa, fica o aprendizado

Eu gosto do inverno, do seu frio, da neve, das paisagens, e por aí vai. Mas o que eu realmente mais gosto no inverno é que ele não dura para sempre, e justamente por não durar para sempre que a primavera chega, bem de mansinho para logo em seguida explodir em vida e cores. A natureza é bem espertinha, ela nos mostra que tudo tem seu início, meio e fim. Tudo! São ciclos que servem para nos mostrar que a vida continua, e mesmo o mais forte inverno um dia irá acabar. Assim é para a flor que hoje se abre e amanhã dará lugar a um fruto, o qual depois despeja suas sementes ao solo, para em seguida germinar e dar continuidade ao clico da vida.

O que a natureza precisa é somente de um raio de sol um pouco mais forte e prolongado, ou de um simples vento um pouco mais frio numa noite mais longa. Nada mais, nada menos. Ela entende que esses são sinais das mudanças que estão por vir e, portanto, que é preciso ser flexível, se adaptar. A natureza não precisa de nenhuma pancada forte para que essa mensagem seja entendida, ela sabe que para chegar bem ao inverno precisa se livrar das folhas durante o outono, e que para aproveitar o verão precisa que suas flores ofereçam seu lugar aos frutos, os quais lhe garantirão a continuidade da vida, e às folhas, as quais lhe ajudarão a armazenar a energia necessária.

Ela sabe, portanto, que sempre será preciso abdicar de algo agora em prol de um bem maior no futuro. E mais ainda, ela compreende que sozinha não daria conta, e que sem o auxílio do companheiro sol e de todas as consequências do convívio com ele, como a chuva o frio ou o calor, talvez a solução teria que ser outra. Ou seja, o processo é coletivo, não individual.

Seria bom se nós, seres humanos, agíssemos como a natureza age.

Ao primeiro sinal de dificuldades vindouras iríamos nos preparar para tentar superá-las. Aos primeiros sinais de calmaria e paz gozaríamos o máximo possível esses momentos. Pois, como diz o provérbio “não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe…”

2012-10-19 10.07.09

Seria bom se tivéssemos mais sabedoria para enxergar as dificuldades futuras, mais paciência no caso delas durarem, e mais fé para continuarmos a caminhada.

Seria bom se tivéssemos mais compreensão para entender que as alegrias não duram para sempre, e também saber que elas não são únicas, outras com certeza virão.

Seria bom se tivéssemos mais noção de que nós podemos ser os responsáveis pelos ventos frios na vida de outra pessoa, querendo ou não, mas também que podemos ser raios de luz a clarear e aquecer o caminho por onde ela passa.

Seria bom se entendêssemos que tudo na vida é experiência, que toda experiência tem seu resultado, e que todo resultado traz conhecimento!

E é nesse clima de quase início de primavera no hemisfério norte que eu desejo que nós possamos ser mais como os raios de luz que possibilitam as flores surgirem novamente do que como os ventos de frio a trazer dificuldades.

IMG_4389

Desejo que possamos ver que as vezes se faz necessário deixar que uma folha caia, para que essa mesma folha nos sirva de adubo de aprendizado e assim lá na frente possamos ter mais flores enfeitando ao nosso redor.

Desejo que nós possamos iluminar a vida dos outros com nossa luz, mas que eles também possam iluminar a nossa vida, para que flores de oportunidades surjam sempre no nosso caminho, pois o processo é coletivo e a troca é incessante.

Por fim desejo que possamos cada vez mais entender que tudo passa, ficam as lembrancas e o aprendizado.

Abraços fraternos a todos.DSC00284

 

Publicado em Pensamentos | 4 Comentários

3 anos

Sofia, você completou 3 anos. Que dádiva passar mais um ano com você e sua mãe, foram muitas alegrias e incontáveis aprendizados. Quanto coisa você ainda vai nos ensinar? Difícil saber, e aqui nessas poucas palavras eu não saberia explicar, simplesmente porque algumas coisas não se explicam com palavras, a gente as vive, e a vida minha filha é muito mais do que um pequeno texto. Infelizmente não sou capaz de descrever tudo o que sinto por você na forma de palavras, ditas ou escritas, porque elas são muitas e eu estou longe de conhecer todas, mas aprendi a não desperdiçar a oportunidade de dizer ou escrever um “Eu te amo”. Por que? Porque eu te amo, te amo ha mais de 3 anos.
Desejo que você tenha sempre o necessário para poder ser feliz, mas desejo também que eu possa ser capaz de te ensinar que apesar das coisas nem sempre parecem maravilhosas como num filme, a vida é boa e vale muito a pena, que um sorriso sempre é melhor do que uma cara fechada, que compartilhar é bom até no Facebook e no Whatsapp (bem, nem sempre né). Além disso, eu gostaria de pedir para prestar atenção por onde anda e com quem anda, e que nunca esqueça de observar os campos e castelos ao redor. Eu desejo poder lhe ensinar que um abraço cura muita tristeza, que um “eu sinto muito, me desculpa” remove montanhas de rancor e toneladas de peso das nossas costas, mostrar que a família é importante para nos lembrar de onde viemos, pois para onde vamos é outra história, e que nesse caminho os bons amigos são sempre bem-vindos.
DSC00088
Noutro dia lemos sobre Jesus e foi muito bom. Contei sobre o dia em que Jesus subiu na montanha pra contar a história mais bonita de todas as que ele contou (o Sermão da Montanha, e que Gandhi, um homem laaaaaaa de muito longe disse que era o mais importante discurso de todos os tempos, e que “Se a humanidade perdesse todas as obras sacras, e ficasse apenas o Sermão da Montanha, não teria perdido nada”), e aproveitou para ensinar a todos que lá estiveram como eles deveriam rezar ao papai do céu. Era mais ou menos assim:
Papai do céu
Santo é o teu nome
Venha até a gente o teu reino laaaaaa dos céus
Que a sua vontade seja sempre obedecida
Aqui embaixo na Terra, mas também aí no céu
Muito obrigado pelo pão de hoje, que estava bem bom
Desculpe se a gente fez algo errado
E que a gente desculpe todo mundo que brigou com a gente
Não deixe que a gente queira tudo sem precisar
Mas também não deixe que o mal chegue perto
Que assim seja 

Feliz aniversário minha Sofia.

Publicado em Sou Filha | Deixe um comentário