Páscoa é esperança

Vez ou outra me pego pensando e lembrando de um dia já bem distante, um dia em que eu estava no aeroporto em Curitiba e chorava enquanto aguardava meu voo. Chorava por inúmeros motivos, mas acredito que o principal deles era que eu me sentia sozinho, tinha medo. E no meio de gente que eu nunca vi na vida acabou que ninguém perguntou o motivo pelo qual um homem de 29 anos chorava.

Enquanto as lágrimas caiam eu me recordei de um livro de mensagens que ganhei da vizinha de meus pais, vizinha essa que me viu crescer. O título do livro era “Minutos de Sabedoria”, de Carlos Torres Pastorino. Nao pensei duas vezes e abri o livro, a mensagem foi essa:

“Tenha fé em si mesmo, porque Deus habita dentro de você. Portanto, ter fé em si mesmo é ter fé em Deus. Tenha confiança em suas capacidades, e caminhe sem temer os obstáculos. Você pode vencer! Você vai vencer! Corresponda à confianca que Deus depositou em você, quando lhe entregou as capacidades de que dispõe, para que você as desenvolvesse e pusesse em prática”

Fechei o livro e parei de chorar. Não estava mais com medo, pois percebi que nunca tinha ficado sozinho. Deus está em todo lugar, seus anjos também.

Daqui uns dias será Páscoa, e acredito que a mensagem principal que deve ficar em nossos corações é uma mensagem de esperança. Todos nós temos a chance de vencer, basta acreditarmos mais em nós mesmos. Não é fácil, mas não é impossível. Jesus venceu.

Desejo a todos Feliz Páscoa.

Anúncios
Publicado em Pensamentos | Deixe um comentário

O dia em que eu sai de casa.

Num dia qualquer eu ouvi a seguinte história a qual eu vou tentar relatar nas linhas que seguem. Por que? Porque me reconheci nela.

Um rapaz tinha se mudado para Londres e se via com muitas saudades da família. Na época não existia internet e o telefone orelhão era o meio que ele usava para se comunicar com a mãe e familiares. Havia uma diferença de horário entre Brasil e Inglaterra, quatro horas, então ele ligava sempre mais a tarde para pegar a família logo depois do almoço, e durante as conversas ele acabava ouvindo o barulho de fundo na casa dos pais, a louça sendo lavada, etc., deixando-o com ainda mais saudades. O filho então pedia para sua mãe “me escreve“, mas a mãe não escrevia. Um dia essa mãe foi visitar Chico Xavier e ele acabou perguntando como estava o filho dela, ela respondeu que ele estava em Londres e que estava muito chato, pedindo a todo momento para que ela escrevesse pra ele, que sentia muita falta e tal. Ela explicou que eles mantinham contato, que conversavam regularmente, mas que ela não tinha vontade de escrever, e Chico ouviu o relato com atenção e carinho. Eles estavam sentados na cama dele, pois ele estava adoecido na época. Chico então se abaixou e pegou uma caixinha que estava debaixo de sua cama, nela haviam muitas cartas escritas por muitos amigos, e ele então disse que quando ele sentia falta de alguém ele pegava uma carta escrita por essa pessoa e a colocava no peito, pois quando a gente escreve uma carta a gente transfere muita energia boa para aqueles que a recebem.

Quando eu ouvi essa história na mesma hora pensei “eu entendo esse rapaz pedindo para que a mãe lhe escrevesse”, pois eu moro há muito tempo fora do Brasil, e sei que o início não é fácil. Olhando com os olhos de hoje a época em que eu vim pra cá fica claro que apesar de ter pessoas boas ao meu redor eu senti muita falta de uma carta. Hoje eu consigo entender isso, mas na época eu não fui capaz de perceber essa falta.

Eu me recordo de que quando eu sai de casa eu chorei e acabei sentindo mais do que eu imaginava. Para alguns isso é bobagem, para outros um exagero, mas para mim foi verdadeiro. Senti falta de meus pais, de minha família, meus sobrinhos, de meus amigos, de minha casa, da minha cidade, de pegar o ônibus todos os dias… enfim, senti falta da vida que eu tinha e que naquele momento não tinha mais. Algumas coisas ficaram de lado, outras se fortaleceram, e diversas se perderam. Porém, novas foram criadas, e outra vida acabou sendo construída além daquela.

Para quem nunca saiu de casa isso pode parecer vago, mas pra quem viveu ou vive longe sabe que receber uma carta ou qualquer coisa que te faça ver que alguém pensou em você é muito importante. Um postal, um email, uma mensagem no whatsapp, não importa, o que importa é ser lembrado e saber que alguma forma você é importante para alguém, só isso. Certamente que devemos fazer o mesmo!

Me perguntaram há pouco tempo se eu sentia falta do Brasil e eu disse que sim, que sempre sentirei falta do meu país, mas lembrei que o que me faz sentir falta de lá são principalmente as pessoas que lá ficaram. Sinto falta de ir no Parque do Monge la na minha querida Lapa, mas estar lá e com amigos foi o que fez o local ser realmente especial para mim. Comer pinhão é bom, mas tomando um chimarrão com meu pai e meu irmão isso não tem preço. Tenho saudades de Curitiba, e isso se deu graças aos meus anos de faculdade sempre com pessoas muito boas ao meu redor… e por ai vai, exemplos é o que não faltam.

Portanto, se alguém que você conhece está longe e esse alguém é importante pra você, faça um esforço e escreva para essa pessoa. Não esquecendo que hoje em dia dá até pra gravar um áudio e dizer “olha, sei que nunca escrevi uma carta pra te dizer isso, mas estou passando pra dizer que estou com saudades”. Num mundo onde muitos procuram por simpatia, um pouco de empatia não faz mal a ninguém.

Abraços fraternos.

Publicado em Pensamentos | Deixe um comentário

Significados

Muitos procuram por significado nas palavras, e não poucas vezes nos atrapalhamos como elas, nos falta entendimento, vocabulário… e por fim esquecemos de perguntar o principal: qual é o sentimento que elas carregam?

Dizer “Eu te amo” tem sentido para os falantes da língua portuguesa, assim como “Ich liebe dich” para os alemães, “I love you” para os falantes da língua inglesa e por vai, ficando claro que o importante nisso tudo é o sentimento que tais palavras carregam, e não a sonoridade em si.

As palavras abaixo, algumas legíveis outras nem tanto, podem não fazer sentido para a grande maioria das pessoas, mas ver minha filha escrevendo-as através de um teclado de computador trouxe muitos bons sentimentos pra mim.

Acho que esse é caminho.

Abraços fraternos.

_____________________________

Esslingen, 03 de Fevereiro de 2019.

“sofia k sofiamnä

1222222223333333333444444567789999900

yxsadew111234567890plkjmnbblklkl…………lllllllllllllllllppppppppppppoioi13546789908ß0´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´hjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjjhvbbbbbbbbbbbnhfjgfkjjbjgbghkjhkgggggggnnnnbbnbnh                              mmmmmmj   äbun

sofia

lmkjhggffddssagzhijiiiiiiiiijiiiiiiiiiijjjjjjjjjjjjjjuokjhgskrew1234567890

#########################

+++++++++++++++++++++++++++#####äääääääääääääääääääää”

IMG-20190129-WA0004

Publicado em Pensamentos | Deixe um comentário

Evolução Moral e Intelectual

Noutro dia eu ouvi uma frase dita por José Maria Trindade durante um programa da rádio Jovem Pan que era mais ou menos assim:

A humanidade não está preparada para internet.

A frase surgiu devido aos inúmeros comentários e reações normalmente extremas, para um ou para outro lado, e que ultimamente têm sido comuns nos fóruns de discussão existentes na Web. Em outras palavras o que ele quis dizer é que nós não estamos preparados para lidar ou conviver com o diferente. A inteligência humana foi capaz de desenvolver uma ferramenta que possibilita o contato de pessoas localizadas nos mais variados extremos da Terra, tornando possível o reencontro (virtual ou não) de milhões de outras. No entanto, também coloca em contato um outro tipo de extremo, o das diferentes opiniões, e esses não tem conseguido ficar muito tempo juntos sem causar faíscas, faíscas essas que têm causado fogo e muitas dores de cabeça mundo afora.

Pensando nessa frase eu acabei por me recordar de uma passagem encontrada em vários livros da doutrina espírita que diz que o espírito deve evoluir em dois frontes, um moral e outro intelectual, isto é, há vezes que evoluímos moralmente, noutras intelectualmente. Já o progresso é sempre adiante, nunca há retrocesso, no máximo estacionamos. Um resumo dessa ideia é encontrado no capítulo 6 de o Evangelho Segundo o Espiritismo, vindo diretamente do Espírito da Verdade:

Espíritas!, amai-vos, eis o primeiro ensinamento. Instruí-vos, eis o segundo”.

 Até agora escolhemos por fortalecer o segundo ponto, embora o primeiro venha insistindo cada vez mais e nos chamando ao trabalho.

Bem, eu já ouvi e li algumas discussões sobre esse progresso em dois frontes. Uma delas diz que para voarmos como anjos precisamos de duas asas, a da sabedoria e a da caridade. No entanto, se uma for menor, mais fraca ou menos desenvolvida do que a outra, isso tornará o voo mais difícil, e provavelmente não alcançaremos altitudes muito altas. Portanto, precisamos das duas fortalecidas.

Outra eu encontro em O Livro dos Espíritos que diz que o desenvolvimento intelectual precede o moral, embora isso não ocorra de imediato. Para a evolução intelectual há a necessidade do indivíduo se instruir e isso pode ser feito independente dele ser bom ou mal. Obviamente há trocas de aprendizado, é óbvio que o cidadão necessita aprender coisas a partir do contato com outras pessoas, mas o estudo depende basicamente da vontade dele. O que ele recebe nesse caso é a instrução, que é o instrumento que faculta o entendimento do bem e do mal, entendimento esse que nos leva ao desenvolvimento moral, e é por isso que o intelectual precede o moral.

Antes de continuar é preciso que fique bem claro que o desenvolvimento intelectual é tão importante quando o moral. Não fui eu quem disse isso, mas os bons espíritos quando responderam a Kardec sobre o tema afirmando que “o Espírito deve adiantar-se em conhecimento e moralidade e, se ele não progrediu senão num sentido, é necessário que o faça no outro, para chegar ao alto da escala.” (o negrito na palavra “necessário” é meu).

Portanto, a partir do momento que eu me instruo e começo a utilizar esse conhecimento em minhas relações pessoais inicia-se o meu desenvolvimento moral, o qual depende necessariamente da minha convivência com outra pessoa, nesse caso o meu próximo. Mas e quem é o meu próximo? Pergunta pertinente, diriam alguns, pois já que minha evolução moral depende dele, nada mais justo que eu saber de quem se trata.

Não precisa de muito tempo para descobrir que o próprio Jesus, nosso guia e modelo, já respondeu essa pergunta quando indagado por um doutor da lei. A resposta veio através da parábola do Bom Samaritano, onde três pessoas passaram por um quarto que estava machucado no chão, mas somente um o ajudou. Por fim Jesus perguntou de uma maneira um pouco diferente daquela que doutor usou: “Qual destes três você acha que foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?”.

A questão era simples, havia alguém caído no chão e que necessitava de ajuda. O contexto histórico nos ensina que cada um dos três passantes tinha uma origem, tinha suas características pessoais e sociais que influenciavam na sua decisão de ajudar ou não, e Jesus fez questão de citar a origem de cada um deles para que isso ficasse bem claro. Outra coisa importante que vale a pena ressaltar é que aquele homem caído não tinha nome, a cor dele era irrelevante, a origem não foi citada, assim como sua religião, etc., pois Jesus somente disse se tratar de alguém necessitando de ajuda, era esse o ponto chave. Todos os citados na parábola teriam condições de ajudá-lo, mas somente o “Bom Samaritano” o fez, somente ele foi capaz de entender a situação e agir de maneira caridosa, somente ele se compadeceu do homem. Para o homem caído no chão o Samaritano foi o seu próximo.

Interessante ressaltar que nessa mesma parábola Jesus nos convida a termos atitudes mais ativas quando pergunta “quem foi o próximo daquele homem?”, isto é, ele quer que tomemos a iniciativa e não que fiquemos aguardando por alguém nos falar “ei, eu sou seu próximo, você poderia, por obséquio, me ajudar?”. Isso é o contrário da pergunta feita pelo doutor da lei que indagou “quem é o meu próximo?”, que é uma atitude mais passiva.

Emmanuel, orientador espiritual de Chico Xavier, psicografou uma frase feliz e que tem relação direta com essa passagem: “Deus se manifesta através das circunstâncias e pessoas que cruzam as nossas vidas.” Alguns acreditam que tudo não passa de coincidência, mas para esses eu me recordo do que disse Joana de Angelis “A coincidência é a presença discreta de Deus propositadamente programada para dar certo na hora exata e nas circunstâncias ideais.” A pergunta que deve ficar é: quando a situação nos chega estamos preparados para ela?

Enfim, ambos os desenvolvimentos nos levam a Deus, tanto moral quanto intelectual, e um depende do outro. Sendo assim, embora fique claro que a evolução moral no planeta Terra ainda é baixa, nos mostrando que ainda não estamos preparados para usar a internet de maneira madura, é importante lembrar que podemos ter uma atitude mais ativa e observar que talvez aquele indivíduo que xinga, mente, odeia, ou repassa informações indevidas pela internet nada mais é que um dos nossos irmãos que precisa de ajuda, talvez nós sejamos o próximo dele, e que se não temos condições de ajuda-lo diretamente, lembremos que uma oração sempre é possível.

Por fim me recordei de uma história que se passou com Chico Xavier. Ele recebia muita gente em seu centro, e numa noite uma mulher acabou por dar dois tapas na cara de Chico. Ela estava visivelmente desiquilibrada. Uma confusão tomou conta do salão e Chico saiu para se recompor quando Emmanuel apareceu e lhe perguntou o por que dele ter parado com atendimento, e aqui eu deixo que o resto do diálogo seja lido logo abaixo:

[Emmanuel] – O que você está fazendo aqui que não está atendendo as pessoas?
[Chico] – Não… é que eu estava lá atendendo, mas de repente apareceu uma mulher e me deu dois tapas no rosto… um de cada lado…
[Emmanuel] – Sim, eu vi.
[Chico] – Mas se o Sr. viu, por que me pergunta?
[Emmanuel] – Porque eu quero saber o que você está fazendo aqui que ainda não voltou.
[Chico] – Eu… eu não voltei porque não vou falar com essa mulher.
[Emmanuel] – Não. Você vai voltar lá e vai atender essa mulher.
[Chico] – Eu vou atender a mulher?
[Emmanuel] – Sim, meu filho. Você vai atender essa senhora.
[Chico] – Mas o Sr. não acha que eu estou com a razão? Ela me bateu! Eu não fiz nada para ela.
[Emmanuel] – Sim, meu filho. Você está com a razão. Mas ela está com a necessidade. Ela é uma criatura desequilibrada. Se ela sair daqui mais perturbada ainda – por não ter sido atendida – e resolver dar um tiro no próprio ouvido, como você vai lidar com isso? Portanto, enxugue o rosto, volte lá e fale com ela.

Então, o Chico, obediente, e com o seu ego morto, enxugou o rosto e voltou para atender a mulher que lhe tinha dado as bofetadas. Ele tinha a razão, mas ela tinha a necessidade; ela era a infeliz que precisava de ajuda.

E no meio de tanta coisa que encontramos na internet eu acredito que devemos, pelo menos de vez em quando, nos perguntar: temos a razão ou temos a necessidade?

Abraços Fraternos!

Publicado em Pensamentos | Deixe um comentário

Não podemos perder nossa humanidade

Já ouvi relatos de que mesmo numa guerra muitos generais concordam com um cessar fogo temporário para que os soldados resgatem os feridos e retirem seus mortos. Ou seja, mesmo quando a intenção é de acabar com o seu oponente ainda há a possibilidade para um cessar fogo, de um basta por agora, baixem as armas. Nem todos tem parentes na guerra, mas se um parente querido meu tivesse morrido na guerra eu ficaria aliviado de saber que pelo menos o corpo dele foi resgatado.

Quando Ruth Cardoso, então esposa de FHC faleceu, Lula baixou as armas e foi até o velório. Quando Dona Mariza, esposa de Lula, faleceu, FHC fez o mesmo e foi até o velório. Infelizmente em ambos os casos houve pessoas que achavam que aquilo não deveria ser feito, isto é, que nem FHC nem Lula deveriam ir aos respectivos velórios. Mas eu penso que uma delas poderia ter sido minha mãe, minha esposa, minha avó… e fico muito feliz em reler os jornais e saber que nem FHC nem Lula ouviram tais reclamações. Nem todos podem ir aos velórios que gostariam, mas eles foram.

Quando Bolsonaro levou uma facada e quase morreu, muitos torceram para ele morrer, outros achavam se tratar de montagem, e foi muito complicado ler os jornais e saber o que era verdade e o que não era. Mas quando eu penso que poderia ter sido meu pai, meu irmão, meu tio, ai eu fico feliz que ele pode ter sido levado a tempo para um hospital, os filhos e esposa dele agradecem até hoje. Nem todos são salvos a tempo, mas alguns são.

Eu já li gente desejando a morte de FHC, de Lula, Dilma, Sarney, Bolsonaro, entre outros, e fazendo isso como se fosse normal escrever ou pensar “tomara que morra esse pilantra!”. São pessoas de todos os partidos, ou times, ou igrejas…

Enfim, nós podemos perder eleição, podemos perder jogo, perder o trem, perder o emprego, perder a paciência, perder o namorado ou a namorada, podemos perder tudo isso e mais um pouco, mas NÃO PODEMOS PERDER NOSSA HUMANIDADE. A morte de um filho ou neto ou sobrinho, sejam eles da idade que forem, numa família é uma coisa que deixa marcas profundas, pois o natural seria os mais novos enterrarem os mais velhos, e não o contrário. Então, caso você que esteja lendo essa postagem tenha por qualquer motivo ficado feliz com qualquer tragédia, por favor entenda o seguinte: VOCÊ ESTÁ ERRADO!

Que os pais, avós e amigos dessa família possam ter paz e muita força para dar continuidade em suas vidas. Que os bons anjos iluminem a todos nós, pois estamos precisando, mas peço que ilumine principalmente a todos aqueles que já se foram assim como aqueles que aqui ficaram, com suas saudades e boas lembranças.

(Esslingen, 4 de marco de 2019)

Publicado em Pensamentos | Deixe um comentário

Imigrando

Os meus, quem sabe também os seus, e muitos outros avós e bisavós imigraram para o Brasil há muito muito tempo.

Eram Italianos, Alemães, Portugueses e muitos outros que chegando ao Brasil não pensaram duas vezes: cresceram, aprenderam, viveram, conviveram, casaram… tiveram filhos, muitos deles.

Seus filhos nasceram, e hoje eu me pergunto o que eles eram?

Pelo sangue eles eram o que seus pais eram, mas a terra onde seus pés estavam lhes ofertava uma nova nacionalidade, e no mesmo pacote veio uma nova maneira de moldar suas personalidades.

E assim se tornaram Alemães, Italianos e Portugueses, Brasileiros, ou talvez tudo ao mesmo tempo? Sei lá, mas uma coisa era certa, eram únicos. Se tornaram alemães nascidos no Brasil, se tornaram brasileiros filhos de portugueses… mama mia!

E a mistura da massa não parou ali, pois vieram os netos, e vieram aos montes. Mas esses já não tinham uma ligação tão forte com a terra natal dos avós, pois além do tempo haviam também as misturas de casais, alemães com italianos, portugueses com brasileiros… todos nasciam na mesma terra e eram moldados com formas muito parecidas.

Até que os netos e bisnetos cresceram e alguns deles fizeram o caminho contrário, imigrando para a terra dos avós, bisavós… e para não perder o costume, também cresceram, aprenderam, viveram, conviveram, casaram… tiveram filhos.

Seus filhos nasceram, e me pergunto o que eles são?

Brasileiros, Alemães, Portugueses, Italianos… pelo sangue… bem, pelo sangue são uma mistura, mas a terra onde seus pés estão vai lhes ofertar (talvez) uma nacionalidade, além de uma nova forma de moldar suas personalidades, bem diferente daquela de seus avós e bisavós. Os tempos mudam.

Mas o mundo continua a girar, e se esses filhos também migrarem? E se mais filhos, netos bisnetos vierem? E se surgirem novas nacionalidades, novos moldes…

Aí serão uma baita de uma mistura, serão uma legião, serão do mundo, serão humanidade…

… o que, na verdade, sempre fomos.

Publicado em Pensamentos, Sou Filha | Deixe um comentário

Use o “sinto” de segurança

“Penso, logo existo” escreveu René Descartes há quase 400 anos. Hoje, acredito eu, ele escreveria algo diferente em seu Discurso do Método, adicionando o sentimento em sua famosa frase, “penso e sinto, logo existo”. Na verdade, tal frase poderia ser melhor traduzida como “penso, portanto sou”, ficando então “penso e sinto, portanto sou”. Enfim, não é bem sobre Descartes que eu quero escrever (já tem bastante gente sobre ele), mas sobre sentir e sobre conhecer a si mesmo.

Ainda damos pouco valor àquilo que sentimos, embora passemos muito de nosso tempo pensando e refletindo sobre muitos sentimentos como a quem amamos ou odiamos, nossos medos, etc., o que acaba sendo um tanto quanto contraditório. Mas, verdade seja dita, aos poucos isso vem mudando e cada vez mais entendemos que o sentir é muito importante em nossas relações pessoais, e que para entendermos melhor tais relações é necessário ter um melhor conhecimento sobre si mesmo, o que por fim poderia nos levar a modificar um pouco a máxima popular para “diga-me quem és, que eu te direi com quem andas”.

Escrevi um texto curto sobre autoconhecimento, e isso já faz um bom tempo. Naquelas poucas linhas eu tentei traçar um paralelo entre o conhecimento de si mesmo e uma viagem. Ao reler eu percebi que ainda gosto daquela comparação e por isso resolvi trabalhar um pouco mais nela.

O autoconhecimento é como uma longa viagem, a qual fica muito mais fácil e prazerosa se vamos por uma estrada que já conhecemos. Todos que dirigem sabem o quanto ajuda conhecer o caminho que iremos percorrer, pois sabemos onde acelerar mais, onde fica a curva mais pesada, onde há mais buracos, conhecemos a localização de uma boa parada, sabemos onde há uma vista para se apreciar, etc etc etc.

Porém, para conhecermos melhor essa estrada devemos percorre-la várias vezes, observar cada km com atenção, aprender com eles, tentar observar novas características, entender que na curva do quilômetro 325 devemos ir com mais calma, ou perceber que no quilômetro 134 há um novo mirante com uma vista maravilhosa, e por aí vai.

Da mesma forma, fica claro que nossa viagem seria mais fácil, ou pelo menos não tão tumultuada, se conhecêssemos melhor a jornada pela longa estrada de nossas vidas. Porém, para entendermos quem somos não basta uma simples análise ou uma única viagem, a repetição se faz necessária até que tenhamos mais dados experimentais sobre nós mesmos. E o pedágio as vezes é caro por que mexemos com coisas que nem sempre, ou quase nunca, queremos mexer. O resultado disso será uma maior noção sobre o porquê agimos desse ou daquele jeito, e esse novo entendimento nos leva a compreender características de nossa personalidade as quais não tínhamos sequer idéia.

Tal conhecimento nos possibilita também dar nomes aos sentimentos que nem sempre eram claros para nós, viajantes, como “eu sinto medo de falar em público”, “eu sinto raiva quando me dizem isso”, “eu estou feliz por estar aqui”, “eu sinto saudades dele(a), “estou triste por tudo o que aconteceu…”. Dar nome àquilo que sentimos pode parecer uma coisa banal, mas nem sempre é um processo simples. O autoconhecimento nos ajuda a nomear aquilo que sentimos, nos dá mais segurança para tratar de situações que nos causam estresse ou ansiedade, pois sabemos melhor quando acelerar, frear, ou simplesmente nos avisa que é melhor dar a seta e pegar o próximo retorno.

O autoconhecimento é o nosso “sinto” de segurança, portanto, usemos sempre

Publicado em Pensamentos | Deixe um comentário