Juntando frases

Eu estava escrevendo um texto sobre a vida para ser publicado em breve e me deparei com algumas frases que sem querer querendo se juntaram e formaram um pequeno e singelo parágrafo:

A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos“, já disseram, mas a verdade é queremos ter planos, pois queremos ter o controle daquilo que vivemos, é o mínimo diriam alguns. Minha vida, meu controle, mas daí “quando a gente acha que tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas”, ferrando tudo né? Bem, nem tanto se aceitássemos que “tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu“. E quando seria esse tempo? Poderia ser hoje, pois o “hoje é uma dádiva e por isso o chamamos de presente“. Portanto, “não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal“. Lembremos sempre que nossa vida é um quebra-cabeças feito de peças construídas por nós mesmos. Sendo assim, qual peça iremos construir nesse ano que se inicia?

E assim entramos em 2018 🙂
Abraços Fraternos

PSsssss:

  • A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos (John Lennon)
  • Quando a gente acha que tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas (Luis Fernando Veríssimo)
  • Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu” (Eclesiastes, 3.1)
  • Hoje é uma dádiva e por isso o chamamos de presente (Provérbio Chinês)
  • Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal (Jesus em Mateus 6.34)
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A luz do Natal

Deixar vir a mim as crianças“, disse alguém muito especial e sempre lembrado nessa época do ano em vários lugares do mundo. Não, não foi Papai Noel quem disse isso, mas Jesus, e amanhã, dia 25 de dezembro, é o dia em que celebramos seu nascimento, há 2017 anos.

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Mas quem foi Papai Noel então? Bem, na verdade, esse é só um dos muitos nomes como ele é conhecido. A palavra Noel significa Natal em Frances, por isso em Portugal ele é conhecido como Pai Natal, mas no Brasil é Papai Noel mesmo. Na Alemanha tem o dia de São Nicolau, antigo arcebispo de Mira, na Turquia, e que é sempre lembrado no dia 6 de dezembro. Dizem que Noel surgiu através de Nicolau, e se popularizou como o conhecemos hoje graças à Coca-Cola que o vestiu de vermelho, embora antes era de branco como a tradição mandava (obrigado Wikipedia).

Mas independente de nomes e datas é importante saber que o natal não existe porque Noel ou Nicolau, muito menos a Coca-Cola, o quiseram. O Natal existe por causa de Jesus, celebramos a chegada de sua luz divina em nosso mundo, celebramos seu nascimento, e embora hoje se saiba que ele não nasceu exatamente nesse dia (25 de dezembro), ou que ele talvez tenha nascido alguns anos antes do ano chamado zero, a verdade é que Jesus dividiu a história em antes e depois dele.

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E mais, sua luz tem tocado muitos corações desde então, e se Noel teve origem em Nicolau, este só se tornou São Nicolau graças à luz de Jesus. Essa mesma luz também tocou um coração em Assis e hoje temos um Francisco de Assis em nossa história, ela tocou o coração de Saulo nas portas de Damasco e hoje temos Paulo de Tarso, ou São Paulo, ela chegou aos “ouvidos” de Madre Tereza de Calcutá que percebeu que havia muitos com sede no mundo… Jesus enxergava o melhor em cada um deles e fez deles o melhor que eles poderiam ser, com todas as suas dificuldades e defeitos, mas também muitas virtudes.

Esses são somente alguns exemplos, históricos exemplos, mas existiram muitos outros milhões, conhecidos ou não, tocados pela mesma luz durante os últimos dois mil anos. Ela nunca parou de se espalhar, e ainda hoje continua batendo na porta de nosso coração com a esperança de que um dia a gente a abra para que enfim ele possa repetir as seguintes palavras “eu sou a luz do mundo; aquele que me segue, não andará em trevas, mas terá a luz da vida“.

O Natal é a celebração da chegada da luz em nossas vidas, e essa luz só pode ser Jesus.

(Esslingen, 24 de dezembro de 2017)

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Despedidas

Ouvi uma vez o seguinte:

Se você viaja muito isso acaba sendo um treino diário, você tem que dar tchau constantemente para as pessoas, e isso é uma boa lição para treinar o desapego. Você cruza com pessoas, convive, e de repente tem que dar tchau, seguir a vida sabendo que talvez você nunca mais irá encontrar aquela pessoa novamente. É sempre bom saber que as coisas que a gente faz têm um impacto grande na vida de outras pessoas, e vice-versa.

As palavras talvez não foram exatamente essas, mas eu ouvi e gostei, pois é verdade. A partir do momento que decidimos ir morar longe de nossa terra a gente aprende que as despedidas e as saudades estão incluídas no mesmo pacote. Não se pode ter uma coisa sem a outra, e no final isso se torna hábito. Não é que de repente nos tornamos mais duros ou menos sentimentais e não damos mais importância para as despedidas, mas aprendemos a encarar isso como uma consequência do morar longe ou de viajar muito.

O interessante é que podemos ter duas perspectivas com relação à despedida, e aqui cabe essa importante diferenciação que é se você se despede de alguém mas fica onde está, ou se você se despede e vai embora. A primeira solicita desprendimento, desapego, enquanto que a segunda necessita coragem, iniciativa. Qual das duas opções é a mais fácil ou difícil? Não sei, não existe regra, depende de cada um e do quanto cada um já viveu uma ou outra situação, mas independentemente de quaisquer experiências, saiba que despedidas são invariavelmente acompanhadas de lágrimas, algumas de alívio, outras de apreensão, mas muitas delas de saudades.

Eu vivo há mais de 10 anos fora de meu pais e trabalho numa área onde vejo muitas pessoas vindo ou indo embora. Convivi com muitos que ficaram alguns meses, outros anos, mas quase todos vieram e se foram, poucos ficaram, não só brasileiros, mas também estrangeiros. Aprendi muito com eles, aprendi a dar tchau em outras línguas, mas o mais importante de tudo aprendi que um abraço é universal e ultrapassa fronteiras.

Acabei conhecendo pessoas que eu dificilmente iria encontrar no Brasil devido ao fato de morarem longe de onde eu vivia, ou de trabalharem em outro setor, etc., mas que de uma forma ou de outra acabaram cruzando minha vida por aqui. E o que nos ligava? O fato de sermos brasileiros, isto é, pessoas que se ligavam simplesmente pela vontade de querer conversar com alguém que entendia o que cada um queria dizer. Para quem nunca passou por isso entenda, faz falta conversar com alguém na sua língua.

Conheci também muita gente no centro espírita em Stuttgart, porque a religião me ligou a essas pessoas. Já vi muitos se despedindo com lágrimas. Eu mesmo já me despedi uma vez, mas voltei, e percebi que o centro continua sendo um local onde eu me conheço muita gente nova, crio laços, e é claro aprendo muito com cada uma delas.

Conheci muita gente no Max Planck em Mainz (MPIP), brasileiros e estrangeiros, porque a química a física e a matemática nos unia por ligações químicas e equações complexas as quais não cabem nesse pequeno texto. Aprendia a gostar de pessoas muito queridas graças a esse local, o qual também me proporcionou a chance de conhecer minha esposa e mãe de nossa filhota.

E enquanto eu ia escrevendo essas poucas linhas eu me recordava das muitas vezes que me despedi de alguém. Com muitos eu não tenho mais contato, seja lá o motivo que for, enquanto que com outros sim, porém, nem sempre é fácil manter esse contato pois cultivar uma amizade custa tempo e energia. O bom de ficar mais velho é saber que sempre se pode mais do que a gente achava que poderia, e hoje eu tenho contato com muito mais gente que eu achava que teria há vinte anos (Obrigado Internet). 

Mas seja indo ou vindo o importante é saber que sempre causamos um impacto na vida de quem convive com a gente, e que esse alguém também irá impactar nossas vidas. O bom seria se tivéssemos sempre um impacto positivo na vida dos outros, o que nem sempre é possível. Entender e aceitar isso ajuda muito.

Desejo que possamos sempre deixar sementes de paz e tolerância em nossas despedidas, para que possamos colher bons frutos quando o reencontro ocorrer, porque ele um dia irá acontecer.

Abraços fraternos

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A sintonia divina

Quando eu era criança, lá nos idos 1980, não havia internet, CD, DVD, muito menos MP3 ou coisas do gênero. Assim, se eu quisesse ouvir uma música eu tinha que escolher algumas dessas opções: fitas K7, discos de vinil, TV ou rádio. A TV nem sempre passava música, fitas K7 eram poucas lá em casa, vinil menos ainda, mas ambas eram opções, porém sempre com as mesmas músicas. Como eu vivia numa cidade pequena no interior do Paraná, a grande Lapa, lojas de música eram uma raridade, ou seja, ter um disco novo ou fita K7 nova era até possível, mas não haveria outra opção dessas nas próximas semanas ou meses. Portanto, tinha que ouvir até gastar.

Mas havia também a rádio, a qual era mais popular, mais democrática e praticamente todo mundo tinha um aparelho de rádio. Eu podia ligar e pedir música, dedicar a alguém, mandar parabéns, etc., era quase que uma relação de amizade. Enquanto que as emissoras de TV estavam longe de onde eu vivia, havia emissoras de rádio bem próximas de minha casa, dava até para ligar sem pagar interurbano (DDD era caro gente) claro que para ligar eu precisava ter um telefone em casa (item raro nessa época) ou um orelhão próximo (e fichas para usar, óbvio).

Sendo assim, se eu quisesse ouvir algo era só sintonizar com as ondas da estação desejada, seja AM ou FM. Claro que nem sempre a rádio tocava a música que eu queria ouvir e as vezes nem música tocava. Mas o fato era, e ainda é que independente de meu aparelho de rádio estar ligado ou não as ondas sempre estarão ali disponíveis, viajando pelo espaço à espera de uma sintonia. E outro fato é que sou eu quem escolhe sintonizar ou não, ou seja, podem haver milhões de estação de rádio e, por consequência, milhões de ondas de rádio vagando por aí, mas se eu não sintonizar com nenhuma delas, eu não saberei o que cada uma delas está transmitindo.

Eu acredito que a nossa sintonia com Deus ocorra de forma semelhante à de uma rádio. Deus irradia por toda a sua obra, suas ondas de amor estão sempre disponíveis, vagando desde os confins do Universo, passam pela gente para depois seguirem sua viagem através do infinito. Ou seja, Deus é como uma emissora rádio, porém, sua potência é infinita e seu alcance é ilimitado. Já nós, seres humanos, somos os aparelhos de rádio que deveriam sintonizar com essas ondas, e somos nós que escolhemos a sintonia, nós que decidimos. Por isso, não podemos culpar Deus por não tentar entrar em contato, por que ele tenta isso a todo instante, basta que sintonizemos com ele através de nossa religiosidade, que descreve como eu interajo ou como eu troco experiências com Deus. A religiosidade é uma via de mão dupla, ou seja, eu interajo com Deus, mas ele também interage comigo. No entanto, há muito mais fluxo vindo no sentido Deus – Homen, ou criador – criatura do que o contrário.

Portanto, não nos enganemos, pois, Deus quer interagir com a gente a todo momento, mas nós nem sempre, e invariavelmente reclamamos da sua ausência por simplesmente não entender que a onda divina está ali, a nossa disposição, basta vibrar com ela. E se a sintonia direta com ele está ruim, ocorre que Deus encontra outro caminho para nos chamar a atenção, que é através da nossa relação com aqueles que nos cercam. Deus fala comigo através de minha mãe, de meu pai, meu irmão, minha esposa, minha filha, cunhadas, cunhado, sogra, tios, primos, amigos, etc., pontos de conexão é o que não faltam.

Alguns poderiam argumentar que não possuem um bom instrumento, e que não seriam capazes de sintonizar com a divindade, ou também que não seriam merecedores dessa troca. Mas eu duvido que isso seja verdade, pois eu acredito que Deus queira se conectar conosco a todo momento, pois todos nós valemos a pena para ele, todos nós somos merecedores de algo, e independente do que nos digam é errado achar que não somos merecedores da misericórdia divina. Deus cuida de todo mundo, e essa é uma decisão divina, por que se dependesse do homem não haveria muita gente no mundo. No entanto, assim como temos um determinado merecimento, também temos nossas responsabilidades, pois tudo aquilo que recebemos, seja muito ou pouco, necessita de ser bem usado, e aí é que está a responsabilidade, o mal ou bom uso daquilo que nos foi dado, seja lá o que for.

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E assim como na parábola do filho pródigo, Deus está torcendo para o nosso retorno para casa, ele quer e pede a todo momento que retomemos nossa troca com ele, e o faz através do envio de ondas de amor a todo instante, necessitando apenas uma escolha nossa, sintonizar com ele, vibrar com a divindade, para que assim como disse Francisco de Assis, “sejamos instrumentos da paz Deus, e onde houver ódio que eu ele a união“. Nem sempre a rádio divina toca a música que a gente quer escutar, mas toca aquilo que nos é necessário ouvir, e se tivermos ouvidos de ouvir, ouviremos.

Que assim seja.

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1000 e uma noites

Olá Sofia no dia 22 de outubro você completou exatos 1000 dias de vida, e hoje, dia 24, você me fez pensar 1001 noites em você. Claro que antes de você nascer sua mãe e eu passamos meses pensando em como seria seu rosto, como seria seu choro, etc., mas esses últimos 1000 dias foram diferentes, você estava com a gente aqui fora, e assim como aconteceu com os seus 500 ou nos seus 731 dias de vida, você adquiriu muita mas muita experiência, quer ver?

Você hoje corre, pula, dança, pula e corre de novo, pula, brinca, grita, chora, sorri e diz xisssss para câmera, corre de novo, brinca de massinha com a Miss Gabi e cola tudo na TV (a foto abaixo foi de um dia em que eu brinquei de massinha com ela, estavamos bem inspirados), le os seus livros, cozinha sozinha ou com a mamae, come muito, come pouco, não quer dormir mesmo querendo, fala e como fala, mesmo não conseguindo falar direito. E digo mais, com seu pequeno vocabulário você nos convence a fazer muitas coisas tais como construir cabana na sala, dormir com a gente, a assistir 300 vezes o mesmo episódio de um desenho, a comer com você feito criança, a dormir menos, a deixar a porta do banheiro aberta, a imitar cachorro, a responder mil vezes a mesma pergunta… só fico imaginando quando você ter os seus 15 anos. Bem, melhor não pensar muito nisso agora 😊

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Você aprendeu a contar os números, e mesmo pulando alguns conta um pouco em inglês e alemão, oder?! Aprendeu a reconhecer os lugares onde passa, as pessoas que te querem bem, e mesmo para aquelas que você não conhece e nunca mais vai ver você aprendeu a dar um oi e um tchauzinho, ou um “Hallooo”, tirando sorrisos de onde menos se esperava, e isso é seu, do seu jeito de ser, é a futura Angela Merkel (se você ler esse texto 10 anos depois e não saber quem é Angela Merkel vai la no Google e procura; claro, se ainda houver o Google).

É filha, você aprendeu muito, é uma esponja querendo sugar tudo ao seu redor, como toda criança, na verdade. Agora já podemos conversar sobre assuntos da vida, tais como a mosca que te assusta ou a abelha que veio de amedrontar, assim como as muitas casas de princesa ou a chuva lá fora, não esquecendo nem do gato da vizinha nem da “vozinha” aqui debaixo, muito menos dos inúmeros “dodóis” no joelho que nunca existiram, e deixando bem claro que a Peppa e o George são amigos do Bruno e eles também podem fazer parte do clube das bonecas que você adotou ultimamente… aiai assuntos por demais importantes, e sempre discutidos tim tim por tim tim. Mas ainda tem muita coisa aí pela frente, tem muita foto da vida a ser tirada.

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Muitos não conseguiram estar próximos a você nesses últimos 1000 dias, mas a internet encurtou e facilitou muito nossas vidas. Seus avós, tios e tias, primos e primas, assim como nossos muitos amigos também ficam felizes por poder, pelo menos de longe, compartilhar junto com a sua mãe e eu o seu crescimento físico e moral.

Por fim queria te dizer o seguinte minha filha: o seu caminho está praticamente no início e você ainda tem muito o que aprender, mas fique tranquila que você tem feito o que lhe cabe fazer, brincar dormir correr… ou seja, ser criança. Quanto ao resto te sugiro deixar com Deus, pois ele sempre faz a parte dele. E mais, saiba que sua mãe e eu também temos muito o que aprender, e gostaria de lhe dizer que você tem sido uma professora maravilhosa e exemplar, pois nos lembra e nos ensina todo dia, as vezes de madrugada também, que podemos nos tornar pessoas melhores. Claro que nem sempre é fácil, simplesmente porque a vida é assim, mas saiba que tudo isso vale muito a pena, amar sempre vale a pena, e isso você um dia também vai aprender.

Amamos você.

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A educação não é a melhor solução, é a única!

Dia 15 de outubro é comemorado o dia do professor no Brasil, e talvez nunca antes na história do nosso pais essa profissão se fez tão necessária. O mês de outubro também me faz recordar de um professor de teologia que viveu há 500 anos atrás, ele era monge agostiniano e vivia onde hoje é o atual território da Alemanha. Seu nome era Martinho Lutero, ele modificou o mundo ao seu redor e deu uma nova cara ao estudo da fé cristã deste então, e disse, entre muitas outras coisas, a seguinte frase:

Nenhum pecado merece maior castigo do que o que cometemos contra as crianças, quando não as educamos”.

Não sou especialista em educação, mas acredito que estejamos cometendo vários pecados no Brasil, primeiro por nós, sociedade ou povo ou população, por não estarmos sendo capazes de gerar condições físicas para que nossas crianças tenham um local descente para estudar e aprender, mas também por nós não termos mais o devido respeito pela profissão de professor, tanto pelo lado financeiro, isto é, baixos salários (o que acaba desestimulando muitos daqueles que querem ser professor devido aos baixos salários), quanto pelo lado emocional, pois dar aulas em alguns locais pode ser muito perigoso, sem contar que também há a falta de apoio da família dos alunos (o que também acaba desestimulando, mas nesse caso por medo mesmo), ou seja, em geral não há nem segurança física nem emocional.

Acredito que devam existir vários motivos que explicariam o porquê chegamos a esse momento, e poderíamos apontar muitos culpados, mas saliento que quando eu escrevo que não temos mais respeito pela profissão de professor eu não me refiro a ninguém em especial, eu só sinto que esse talvez seja um sentimento presente em nossa sociedade.

Não é muito difícil de concluir que o primeiro ponto, e isso sem sombra de dúvidas, é a parte mais fácil de resolver desse enorme problema. A construção de escolas é o mínimo do que precisamos, isto é, uma sala de aula, um quadro negro, uma carteira e um giz, são o primeiro passo para melhorar nossa educação. No entanto, quando entramos no segundo ponto, respeito pela profissão, as coisas não são tão óbvias, e aqui me recordo de um Professor (com P maiúsculo mesmo) que tive a sorte de ter nos meus tempos de Universidade, Professor Moacir Kaminski, que disse o seguinte:

Uma instituição não se faz somente com paredes, mas com pessoas, e são essas últimas as responsáveis por manter aquelas paredes de pé”.

As palavras não foram exatamente essas, pois naquela época eu não tinha celular para anotar e eu não escrevi no meu caderno, mas elas ficaram comigo e se encaixam perfeitamente no que eu quero colocar aqui. É importante que tenhamos a seguinte coisa em mente: um profissional desmotivado não vai render igual a um motivado, isso é fato. Eu gostaria de estar errado, mas, como eu escrevi logo acima, eu tenho a leve impressão de que nós brasileiros não valorizamos a profissão de Professor, e qualquer profissional desvalorizado dificilmente se mantém motivado. E mais, dificilmente teremos mais gente motivada a ser professor, sabendo que serão pouco valorizados. Simples assim. Portanto, não adianta ter somente boas construções se não temos pessoas motivadas para mantê-las em pé.

Certamente que existem muitos professores motivados pelo ideal de ser professor, isso é muito louvável e a esses eu dedico uma salva de palmas, mas para muitos outros não é bem assim.

Eu tenho a sorte, ou talvez seja melhor dizer o privilégio de ter muitos professores em minha família, do primário ao ensino superior. Eu mesmo dei aulas por um bom tempo e gostei muito. Hoje eu trabalho em outra área e o magistério foi deixado um pouco de lado, mas no futuro… quem sabe. Tenho também muitos amigos professores, e é muito raro não ouvir reclamações, todas válidas dentro de cada contexto, porque realmente não está fácil. Pode-se dizer que nos últimos 30 anos muita coisa piorou, e poderíamos dizer que a qualidade do ensino também piorou. Porém, devemos também olhar por um outro ângulo, o qual nos mostra que nunca tivemos tanta gente matriculada nas escolas, nas universidades. Ou seja, muitas escolas e universidades têm sido construídas, muito investimento tem sido feito na preparação das paredes, e elas têm sido capazes de abrigar mais e mais gente lá entro. No entanto, mais uma vez me questiono: quem irá dar a sustentação a essas paredes? Precisamos motivar mais e mais nossos professores e educadores, precisamos motivar mais e mais pessoas a serem professores, precisamos atrair mais bons professores.

Enfim, a melhora na qualidade do ensino não irá ocorrer de forma sustentável se não tivermos em mente de que os professores precisam ser reconhecidos e respeitados, isto é, a profissão precisa ser valorizada. O reconhecimento profissional começa com o reconhecimento salarial, mas esse é só o primeiro passo. O segundo seria dar mais atenção para o seu aperfeiçoamento profissional na forma de cursos, palestras, etc. E o terceiro é o respeito que a sociedade precisa recuperar pela profissão e pelo profissional. E aqui a família é essencial, pois se o respeito não é ensinado dentro de casa dificilmente o filho e aluno irá respeitar fora dela.

Com esse tripé, salário + aperfeiçoamento + respeito social, a mesa fica firme e um livro pode ser apoiado sobre ela sem problemas maiores, mas se um deles está bamba ou com a madeira apodrecida, estudar exigirá mais do aluno que quer aprender ou do professor que quer ensinar. Se os três pés da mesa têm problemas, qual será o resultado?

Ao escrever sobre a família e o papel dela na sociedade, eu me recordo de Nelson Mandela, que não foi professor numa sala de aula, mas da vida, e que disse as seguintes palavras, as quais nos relembram de nossa responsabilidade sobre o que ensinamos aos nossos filhos e aqueles que convivem mais próximos de nós:

Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, ou por sua origem, ou sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se elas aprendem a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto. A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta”.

A educação certamente começa em casa e, certamente, os professores também precisam entender que a sociedade precisa do suporte deles. Parece clichê, mas é assim mesmo, temos que seguir de mãos dadas, um dando o suporte ao outro numa via de mão dupla, é um trabalho em equipe, não tem outra forma. Precisamos rever isso, precisamos discutir nossa educação não só do lado material, mas também do pessoal. Precisamos assumir nossa responsabilidade nesse processo, pois jogar toda a culpa na escola não cola mais.

Por fim, gostaria de compartilhar mais um caso pessoal. Em outubro de 2002 eu precisava preparar uma pequena apresentação para um evento de iniciação científica na UFPR em Curitiba. Minha orientadora na época, Professora Leni Akcelrud, tinha uma expectativa grande de que eu ganhasse o prêmio de melhor trabalho e foi com um sorriso de “vai lá, boa sorte” que ela olhou para mim logo no início de minha apresentação. Pouco mais de dez minutos depois, repito, 10 minutos, e eu termino minha participação após responder duas ou três perguntas. Quando eu novamente olho para minha orientadora… bem, o sorriso já não estava mais lá, e verdade seja dita, a minha apresentação precisaria melhorar e muito para ser chamada de ruim. Eu era um péssimo orador, travava mesmo, e ela poderia ter brigado comigo, pois era claro que eu não tinha me preparado, eu tinha responsabilidade naquilo, mas não foi isso que ela fez. Quando todas as apresentações acabaram ela veio até aonde eu estava, pegou no meu braço, e saímos conversando. Na verdade, só ela falou, eu só tive o tempo de dizer “desculpas”, mas para minha surpresa ela começou assim “não, eu também errei, eu deveria ter te preparado. Você está aqui por que eu pedi, e eu deveria ter te preparado melhor…” No mesmo dia eu vi um “professor” rindo de seu aluno, minha Professora nem de perto teve essa atitude, ela optou por me ensinar, e uma das coisas que ela propôs a fazer era me colocar para falar em público, justamente aquilo que eu mais tinha medo.

Quinze anos se passaram desde aquela minha tentativa de apresentação em 2002 eu estava num restaurante com amigos quando uma amiga me pergunta como que eu conseguia falar tanto, dar palestra e ter tanta história sem me perder, sem gaguejar (muito), e eu respondi “isso demorou 15 anos…

E hoje quando olho para aquele dia em 2002 sou eu quem sorri para minha Professora e digo obrigado.

Valorizemos nossos Professores, e aceitemos que a educação não é a melhor solução, é a única.

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O visto divino

Uma das perguntas mais comuns no espiritismo é por que nascemos nessa família, isto é, local, parentes, classe social, etc. Deixando claro que para mim família é aquilo que fazemos dela, como bem disse a fotógrafa Delia Blackburn. Existem famílias grandes, pequenas, de mães que também são pais, de pais que se esforçam para também serem mães, de avós, tios e padrinhos, de homens, de mulheres, há famílias do Sul, do Norte, do leste e oeste, de um ou uma, duas ou dois, de amor e respeito, de brigas e desavenças, de desculpas, perdões, além daquela família que Deus nos permite escolher, que são nossos amigos. E todas são famílias porque existe algo que os une, independente do que está escrito na Constituição do pais onde vivemos.

Por que nascemos nessa atual família?

Eu realmente não sei o porquê cada um pertence a essa ou aquela parentela, isto é, eu não sei o porquê estamos ligados por sangue a essa ou aquela pessoa na atual reencarnação, simples assim, pois cada caso é um caso, e por isso prefiro dizer que só Deus sabe, pois Ele sabe mesmo. Mas, em linhas gerais, sem citar nenhum caso específico, eu acredito que todos nós reencarnamos com as condições necessárias para resgatarmos nossas dívidas morais, próprias ou em grupos, mas também para executar a parte que nos cabe na evolução do Universo, isso mesmo, Universo, pois somos viajantes instalados atualmente aos redores do planeta Terra e tentando angariar pontos que nos propiciem condições de dar passos mais largos no futuro. Deus dá a cada um o fardo que é capaz de carregar, nem mais nem menos. E esse é o ponto de partida, de nascimento, de reencarnação, seja lá o nome que se queira dar, é com essas condições em mãos (classe social, região, desafios internos, etc.) que devemos dar conta do que virá pela frente. A família onde nascemos é a nossa matéria prima inicial. Temos até o direito de reclamar dela, mas não podemos fugir.

Portanto, nascemos na atual família porque ela nos fornece as condições essenciais (morais, materiais e genéticas) para a execução desse atual plano reencarnatório, seja ele qual for.

Todos temos problemas e defeitos, além de qualidades é claro, mas o fato é que somos diferentes, pensamos de formas diferentes, mesmo estando na mesma família, e isso pode incomodar, pois nem sempre é bom conviver com as diferenças. Porém, para que possamos nos livrar de sentimentos negativos, tais como a inveja, intolerância, negligência, raiva, rancor, etc., é necessário conviver. Acredito também que a atual família, parentes e amigos (porque a família universal é muito maior do que simplesmente laços sanguíneos), foi constituída para que exista a reconciliação entre esses espíritos. A reconciliação exige perdão, e o perdão por sua vez exige empatia, entendimento, humildade, aceitação, tolerância, paciência… essas virtudes nem sempre estão presentes na gente, e a obtenção delas é propiciada através da reencarnação na família que nós precisamos, ou seja, através da convivência.

Mas para que todo esse processo pudesse ser iniciado nós tivemos que obter uma autorização, tivemos que dar entrada num visto divino, o qual é fornecido por Deus. O desejo da melhora, da reparação, da reconciliação, da evolução, etc., nos levaram a pedir esse visto para que pudéssemos nos refugiar em nós mesmos com o objetivo de acabar com os muitos conflitos internos que teimam em fincar bandeira em nossos corações.

A reencarnação é uma das maiores provas da misericórdia divina.

Por fim, independente da família em que estamos, a verdade é que somos todos refugiados espirituais, estamos no asilo carnal. Recebemos a autorização para entrar aqui depois de muito implorar por um visto, o qual poderia muito bem ter sido recusado. Devemos ficar o tempo necessário até que acabem os conflitos, ou que pelo menos diminuam, mas podemos ser expulsos antes, ou simplesmente fugir… tudo depende da gente. No entanto, a verdade é que o visto tem validade.

O que nos levou a pedir refúgio?
Nossa necessidade de evolução.

Quem nos deu refúgio?
A piedade divina.

Desejo que sejamos sempre instrumentos da paz de Cristo, dentro e fora da nossa família.

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